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Povos indígenas e bem viver digital: tecnologia precisa aprender a escutar

Indígenas de onze povos discutem bem viver digital, estabelecem ética e soberania de dados, e definem ações conjuntas para evitar extrativismo tecnológico

Uma das imagens geradas no projeto IA/AI. Cenas da vida comunitária indígena em 2050 foram imaginadas pelos participantes do projeto e criadas pela IA, com interpretações bastante distintas, tanto pelos participantes quanto pela ferramenta digital. — Foto: Artista Haylly / Galeria do projeto IA/AI: Inteligência Artificial, Arte e Indigeneidade
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  • Projetos IA/AI e INDIGENIA dialogam sobre bem viver digital entre 11 povos indígenas da América Latina, buscando entender como a tecnologia pode atender às comunidades.
  • Em 2023, grupo indígena criou imagens de comunidades em 50 anos para revelar vieses raciais de IA; em 2024, o foco shiftou para ética, consentimento e soberania de dados.
  • A partir de encontros presenciais e digitais, surgiu o Manifesto pelo Bem Viver Digital e, em 2025, um plano de ação com 28 iniciativas, destacando cinco prioridades.
  • As prioridades incluem redes digitais entre aldeias, registro de saberes de anciãos, formação de multiplicadores, produção de conteúdo acessível e fortalecimento da educação digital.
  • Foi criada a rede IndiGenAI, que conecta indígenas e aliados para caminhos mais justos no uso da tecnologia, enfatizando diferenciação entre transformação digital e extrativismo de dados.

O estudo analisa como comunidades indígenas da América Latina entendem o bem viver sob o prisma digital. Em 2023, o projeto IA/AI reuniu povos para projetar futuros com IA, buscando romper estereótipos de corpos pintados e naturezas intocadas. A intenção era mapear visões que conectassem tecnologia, território e vida comunitária.

Em 2024, o INDIGENIA expandiu o tema com apoio da Digital Good Network. Líderes, artistas e anciãos de 11 povos participaram de encontros presenciais na região do Paraná, com foco em ética, consentimento e soberania de dados, para evitar o uso indevido de imagens geradas por máquina.

Entre os povos envolvidos estavam Palta, Wichí, Tulián, Aymara, Mapuche, Kariña, Potiguara, Kaingang, Tupi Guarani, Kariri-xocó e Guarani Kaiowá. A participação ocorreu em Maringá e, posteriormente, em encontros na aldeia Tabaçu Reko Ypy, no litoral de São Paulo, para discutir ações práticas.

O resultado foi a criação de um manifesto orientador para empresas e governos. A partir dele, passou a vigorar um plano de ação com 28 iniciativas, priorizando redes entre aldeias, registro de saberes, formação de multiplicadores, produção de conteúdo acessível e educação digital nas comunidades.

Ao longo do processo, surgiu a rede IndiGenAI, que conecta indígenas e aliados na construção de caminhos mais justos para o uso da tecnologia, com foco na Ancestral Intelligence, ampliando o conceito de IA para além da máquina.

Os debates ressaltaram a diferença entre transformação digital e extrativismo de dados. Observou-se que dados, imagens e conhecimentos tradicionais também exigem modelos éticos e consentimento claro, para evitar uso sem transparência.

Os participantes destacaram a necessidade de ações conjuntas, com decisões compartilhadas sobre o que pode tornar-se público. Assim, as fogueiras digitais serviram como ferramenta de diálogo, não de divulgação de dados brutos, respeitando acordos éticos.

Parte do material produzido está disponível publicamente por meio de encontros, registros e oficinas sobre protocolos e soberania de dados indígenas, reforçando a participação contínua das comunidades no processo.

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