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Estradas fantasmas apoiadas por governos ameaçam a Amazônia, indicam estudos

Estudos indicam que estradas fantasmas no Acre ampliam desmate, atingem unidades de conservação e terras públicas, impactando igarapés e bacias hidrográficas

Vista aérea de trecho do ramal Barbary, estrada aberta no Acre para ligar os municípios de Cruzeiro do Sul e Porto Walter
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  • Estudo aponta expansão de vias de todos os tamanhos no Acre desde 1990, com foco nas chamadas “estradas fantasmas” que avançam sem planejamento e licenciamento ambiental.
  • Entre 2019 e 2020 houve pico: mais de 1.400 km de vias abertos em cada um desses anos; 2025 ficou em quarto lugar na série, com 1.165 km.
  • Aproximadamente 35% das estradas surgiram em projetos de assentamento; 28% em propriedades privadas; 92 km em territórios indígenas; quase 3.000 km dentro de unidades de conservação.
  • Ramal Barbary, ligação entre Cruzeiro do Sul e Porto Walter, é citado como exemplo de via aberta sem estudo de impacto ambiental, ampliando desmatamento e invasão de terras indígenas.
  • Áreas de maior preocupação incluem reservas extrativistas, onde novos ramais foram identificados; a pesquisa ressalta que as estradas reduzem fluxos de igarapés e afetam ecossistemas hídricos locais.

O estudo aponta que estradas ilegais na Amazônia, chamadas de estradas fantasmas, ganham força quando estimuladas por emendas parlamentares e gestões públicas. No Acre, a expansão de vias ocorre desde 1990, ligando áreas de conservação a terras públicas e territórios de assentamento.

Iniciando com desmatamento ilegal para uso madeireiro, garimpo ou pecuária, surgem trilhas que servem de tráfego de pessoas e produtos. Com o tempo, moradias periféricas aparecem e vias são ampliadas para motos, carros e caminhões, conectando-se a estradas maiores.

Patrocinadas por prefeituras e governos estaduais, as obras de conservação e ampliação ocorrem sem licenciamento ambiental ou drenagem adequada, bloqueando riachos. O ciclo favorece novos focos de desmatamento ao longo das vias.

Progresso das vias e áreas afetadas

O estudo coordenado pela pesquisadora Sonaira Souza Silva, da UFAC, analisou 1989 a 2025 a expansão de vias no Acre. Os resultados indicam que grandes números de ramais surgiram no período, com estimativa de que estradas fantasmas representem pelo menos 30% dos novos trechos.

Segundo a pesquisa, os anos de maior crescimento ocorreram em 2019 e 2020, sob a presidência de Jair Bolsonaro, quando foram abertos mais de 1.400 km de vias em cada um desses anos. Em 2025, ainda sob Lula, foram abertos 1.165 km, situando-se em quarto lugar no histórico.

A média anual de abertura de trechos ficou em 540 km entre 1990 e 2025. Cerca de 35% das vias ocorreram em assentamentos, 28% em propriedades privadas e menos de 1% em terras indígenas. Dentro de unidades de conservação, quase 3.000 km foram abertos desde 1990.

Unidades de conservação e impactos hidrológicos

A maior preocupação ambiental é a abertura de estradas dentro de unidades de conservação, onde mais da metade das vias recentes foram criadas. Em 2025, houve destaque para 186 km na Resex Chico Mendes e 67 km na Resex Cazumbá-Iracema.

Especialistas ressaltam que as estradas nessas áreas avançam em regiões isoladas, abrindo frentes de ocupação e desmatamento. Pesquisas associadas indicam impactos em igarapés, com bloqueio de cursos d’água e alterações de habitats.

O ramal Barbary, que liga Cruzeiro do Sul a Porto Walter, é citado como exemplo importante de abertura de ramais sem planejamento ambiental. Obras relacionadas a esse ramal foram associadas a desmatamento ilegal e invasão de terras indígenas, conforme investigações anteriores.

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