- Em 2010, o médico Cheng Huai Ruan realizou um exame anal em um homem de 29 anos para verificar sangramento interno antes de uma possível cardioversão, devido a fibrilação atrial.
- Durante o procedimento, a arritmia cessou e o pulso do paciente ficou estável, o que gerou repercussão na internet anos depois ao viralizar no TikTok e no Instagram.
- O caso foi relatado pela revista ZME Science, e o médico disse que não imaginava que aquilo viraria meme viral.
- O cardiologista Gustavo Duque, do Hospital Samaritano Barra, diz que é possível reverter algumas arritmias por meio de manobras vagais ou estímulo do nervo vago, que podem ocorrer com o desconforto retal.
- Segundo o especialista, o episódio é atípico e não deve ser usado como método rotineiro, sendo mais um achado pontual do que uma prática recomendada.
Em 2010, o médico Cheng Huai Ruan, então interno, realizou um exame anal em um homem de 29 anos para checar sangramento antes de uma cardioversão, destinada a tratar fibrilação atrial. A situação, registrada pela revista ZME Science, chamou atenção ao virar meme.
O paciente era candidato ao procedimento que restaura o ritmo cardíaco com um choque elétrico. O exame anal foi feito para confirmar ausência de sangramento, mas houve uma súbita normalização dos batimentos.
Quase duas décadas depois, o caso ganhou espaço nas redes com vídeo de Ruan. Ele afirmou que não sabia que o episódio se tornaria viral e que os batimentos passaram a ser regulares após o toque.
Como isso seria possível
Para o cardiologista Gustavo Duque, do Hospital Samaritano Barra, há mecanismos pelos quais arritmias podem recuar por meio de manobras vagais. Técnicas como Valsalva ou estímulo carotídeo podem ativar o nervo vago e reduzir a frequência cardíaca.
Duque explica que, em algumas arritmias supraventriculares, o estímulo parassimpático pode reequilibrar o ritmo cardíaco temporariamente. O relato envolve ainda a hipótese de que o toque retal tenha contribuído para esse efeito vagal.
Especialistas ressaltam que esse tipo de intervenção não é rotina nem garante resultados previsíveis. Trata-se, segundo eles, de relato pontual com baixa probabilidade de repetição em prática clínica padrão.
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