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Nova fórmula do cimento pode reduzir emissões em até 67%

Universidade Stanford desenvolve cimento de baixo carbono usando rochas vulcânicas; emissões podem cair até 67%, mas escala e viabilidade econômica permanecem desafios

Pesquisa de Stanford para solução natural que substitui calcário, responsável por dois terços das emissões do setor de cimento (Chaiyaporn Baokaew/Getty Images)
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  • Pesquisadores da Universidade Stanford desenvolveram uma fórmula de cimento chamada Phlego que substitui o calcário por rochas vulcânicas, reduzindo até 67% as emissões de carbono da produção.
  • A produção de cimento responde por cerca de 7% das emissões globais de CO₂ e por 2,3% no Brasil; a nova abordagem mira diminuir esse impacto sem depender de mudanças radicais na indústria.
  • A ideia utiliza rochas vulcânicas pouco emissoras de CO₂ quando aquecidas, imitando características do cimento tradicional, mas com menor pegada ambiental.
  • A pesquisa teve início há cerca de uma década, inspirada em formações rochosas de Pozzuoli, na Itália, e busca oferecer uma alternativa viável diante de custos e disponibilidade de insumos.
  • O desafio para adoção envolve viabilidade econômica e consistência de fornecimento, já que materiais cimentícios suplementares variam e a indústria opera com margens estreitas.

A pesquisa da Universidade Stanford apresenta uma nova fórmula de cimento que pode reduzir até 67% das emissões associadas à produção do material. O estudo envolve uma alternativa ao calcário tradicional, principal entrada de carbono na fabricação do cimento.

O grupo é liderado pela geofísica Tiziana Vanorio. A ideia é substituir o calcário por rochas vulcânicas praticamente livres de carbono, que já passaram por aquecimento geológico natural, reduzindo as emissões durante o processamento industrial.

A iniciativa, chamada Phlego, busca reproduzir as características de forma semelhante ao cimento convencional, mas com menor impacto ambiental. Os resultados são promissores, embora ainda dependam de validação prática em escala industrial.

O que torna a abordagem diferente

A produção tradicional de cimento envolve aquecimento de calcário, liberando CO₂ por reação química e pela queima de combustíveis. Esse estágio responde por cerca de dois terços das emissões totais do cimento.

Fontes setoriais indicam que aproximadamente 60% das emissões resultam da calcinação do calcário, e cerca de 40% da queima de combustíveis. A nova técnica utiliza rochas que emitem pouco CO₂ ao serem aquecidas, mantendo propriedades semelhantes ao concreto.

Desempenho e contexto global

A indústria do cimento vem reduzindo a intensidade de carbono, com quedas significativas desde 1990. No Brasil, a emissão por tonelada está estimada em 564 kg em 2025, mantendo o país entre os melhores de referência global.

Entidades industriais apontam metas de descarbonização: reduzir para 375 kg por tonelada até 2050, conforme planos de atuação do setor. A inovação da Stanford surge como alternativa aos insumos convencionais em queda de disponibilidade.

Desafios de escalonamento e adoção

O desafio não é apenas técnico, mas econômico. A viabilidade financeira e a compatibilidade com a infraestrutura existente são apontadas como fatores centrais para a adoção do Phlego.

A pesquisadora destaca que margens estreitas e a necessidade de processos contínuos dificultam a adoção de soluções que elevem custos. A proposta pretende oferecer um caminho de implementação gradual, reduzindo riscos para o setor.

Perspectiva de fornecimento e cadeia de suprimentos

A disponibilidade de materiais cimentícios suplementares é um componente crítico para descarbonizar o cimento. Cinzas de carvão e cinzas vulcânicas naturais são exemplos, com variação de qualidade e localização geográfica.

Votorias da equipe enfatizam que a consistência e o abastecimento estável serão determinantes para a escalabilidade do cimento de baixo carbono. Pesquisas laboratoriais, como a fórmula Phlego, podem oferecer alternativa mais previsível para o setor.

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