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Biorreator de laboratório degrada resíduos da indústria de papel e celulose

Biorreator semiautomatizado e de baixo custo viabiliza a degradação de lignina por fungos, com coleta automatizada sem abrir o recipiente, por cerca de R$ 1 mil

Principal resíduo da produção de papel e celulose, lignina pode ser degradada por fungos com o uso do biorreator.
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  • Pesquisadores da USP criaram um biorreator semiautomatizado, de baixo custo (aproximadamente R$ 1 mil) e código aberto, para estudos com culturas microbianas.
  • O equipamento foi testado com fungos Phanerochaete chrysosporium e Trichoderma reesei para degradar a lignina, resíduo comum na produção de papel e celulose.
  • O sistema faz coletas periódicas e repõe o volume de meio de cultura automaticamente, sem abrir os recipientes, reduzindo o risco de contaminação.
  • A validação durou vinte e cinco dias, com monitoramento de metabólitos e análises genômicas para entender os mecanismos de degradação da lignina.
  • O estudo destaca a integração entre computação, eletrônica e microbiologia, com os resultados divulgado na revista ACS Omega.

Foi criado na USP um biorreator de baixo custo e código aberto para estudos com culturas microbianas. O sistema funciona de forma semiautomatizada e foi detalhado em um artigo da ACS Omega.

O projeto foi desenvolvido no Laboratório de Quimio-Biologia Computacional (CCBL) da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP). A montagem custou cerca de R$ 1 mil, bem abaixo do preço de mercado de equipamentos equivalentes.

O objetivo era testar a viabilidade de biodegradar lignina, resíduo comum da indústria de papel e celulose, com fungos. A lignina é um polímero presente na parede celular das plantas e representa grande parte dos rejeitos gerados pela cadeia.

Para a validação, o grupo avaliou o desempenho de fungos Phanerochaete chrysosporium e Trichoderma reesei, tanto isolados quanto em cocultivo, na presença de lignina. O experimento acompanhou a produção de metabólitos ao longo de 25 dias.

A metodologia combinou análises metabológicas e genômicas para entender os mecanismos de degradação. Técnicas de separação e detecção permitiram identificar intermediários da quebra da lignina e relacioná-los a genes específicos dos fungos.

Segundo a pesquisadora Isabela Victorino da Silva Amatto, a integração de dados de genômica e metabolômica reforça a confiabilidade dos resultados, ao associar metabólitos a genes responsáveis pela enzima envolvida.

Autor do projeto durante a iniciação científica, João Vítor Guimarães Ferreira destacou a importância da interdisciplinaridade para viabilizar o protótipo. O biorreator permite coletas automatizadas sem abrir os recipientes, reduzindo contaminação.

O estudo completo está descrito no artigo Semiautomated Monitoring of Longitudinal Microbial Metabolic Dynamics: A Study Case for Lignin Degradation, publicado na ACS Omega, com dados de 25 dias de experiência. Os pesquisadores defendem a viabilidade de sistemas acessíveis para pesquisa.

A iniciativa ressalta que a inovação surgiu da integração entre computação, eletrônica e microbiologia, abrindo caminhos para metodologias de baixo custo na biotecnologia ambiental. A equipe planeja evoluir o sistema para outras aplicações.

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