- O Great African Seaforest é um cinturão de kelp de cerca de 1.300 quilômetros ao longo da costa da África do Sul, entre o Atlântico e o Índico, abrigando muitas espécies e habitats marinhos.
- Cientistas mapeiam esse ecossistema com imagens de satélite, para entender melhor sua extensão e a vida que nele existe.
- A proteção formal é limitada: menos de 2% dos bosques de kelp no mundo contam com proteções fortes, e grande parte não está sob conservação efetiva.
- Iniciativas como o aplicativo 1001 Seaforest Species, apoiado pelo Sea Change Project, buscam ampliar o conhecimento público e coletar dados sobre a biodiversidade local.
- Especialistas alertam que o aquecimento dos oceanos pode favorecer kelp menores, alterando a estrutura do ecossistema e o sequestro de carbono.
O Great African Seaforest, uma floresta de kelp que se estende por cerca de 1.300 quilômetros ao longo da costa da África do Sul, ganha atenção para proteção e estudo. A área abriga centenas de algas e milhares de espécies marinhas, entre elas crustáceos, nudibrânios e pinguins. O ecossistema se destaca por abrigar kelp em expansão, diferente da tendência global de declínio.
Pesquisadores liderados por Loyiso Dunga mapearam a região usando imagens de satélite para entender sua extensão. A necessidade de conhecimento sólido é central na estratégia de conservação, já que grande parte da área não está sob proteção formal, ao contrário de trechos em áreas marinhas protegidas.
O projeto envolve a comunidade local e busca valorização do ecossistema por meio de ações que conectem ciência e povos costeiros. A importância da kelp para a captura de carbono, plantação de nutrientes e produtividade pesqueira é destacada pelos pesquisadores.
Parte da proteção vem da divulgação científica e do engajamento público. Iniciativas como a criação de nomes nativos para as kelp forests visam ampliar a compreensão cultural e facilitar a comunicação com comunidades tradicionais.
A equipe de pesquisa acompanha o papel do clima no futuro das florestas. Modelos indicam que o aquecimento oceânico pode favorecer kelp menores, alterando a estrutura do ecossistema e seus serviços ecossistêmicos.
A campanha ganhou impulso em 2020 com o documentário vencedor do Oscar My Octopus Teacher, que mostrou a relação entre um cinegrafista e um polvo. A produção ajudou a popularizar a área entre o público global.
Além disso, há um esforço para tornar o mapeamento da biodiversidade acessível por meio de aplicativos. A plataforma 1001 Seaforest Species, com apoio de institutos locais, pretende disponibilizar informações de milhares de espécies da floresta marinha em 2027.
Pesquisadores também trabalham para reconhecer a kelp em línguas locais. A iniciativa de nomeação em imbonambi, por exemplo, busca aproximar comunidades da conservação, fortalecendo o diálogo entre ciência e cultura.
Embora parte da área esteja em áreas protegidas, a maior parte do Great African Seaforest permanece sem proteção formal. A comunidade científica aponta que ampliar salvaguardas é crucial para a resiliência do ecossistema diante das mudanças climáticas.
O estudo da floresta envolve ecossistemas entre duas correntes oceânicas, Benguela e Agulhas, que trazem águas diferentes. Observa-se que o kelp responde melhor a condições frias e ricas em nutrientes, associadas à corrente de upwelling.
Ameaças como o aquecimento, a redução de nutrientes e pressões humanas motivam a continuidade da pesquisa. Dados científicos ajudam a orientar políticas públicas e estratégias de conservação com foco na sustentabilidade marinha.
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