- Estudo internacional com participação do Brasil, publicado na Biological Reviews, analisa os serviços ecossistêmicos prestados por cavernas e ambientes subterrâneos.
- As cavernas respondem por cerca de setenta e cinco por cento dos serviços ecossistêmicos; ambientes subterrâneos abrangem pelo menos sessenta e oito dos noventa serviços reconhecidos.
- Serviços citados incluem fornecimento de água potável, energia geotérmica, abrigo para espécies úteis à agricultura, depuração de compostos tóxicos, regulação climática, recursos para biotecnologia, moradia, lazer e produção de alimentos como cogumelos, queijos e vinhos.
- Os serviços estão agrupados em provisão, regulação/manutenção e culturais; cavernas atuam em sessenta e três por cento dos serviços de provisão, oitenta e dois por cento de regulação e manutenção, e cem por cento de culturais.
- O pesquisador brasileiro Enrico Bernard ressalta que o Brasil tem mais de trinta mil cavernas conhecidas, cerca de quinze por cento do total estimado; mudanças em regras de licenciamento ambiental podem comprometer esses serviços, enfatizando a importância da preservação.
O estudo, publicado na Biological Reviews, reúne cientistas de dez países, incluindo o Brasil, para analisar os serviços ecossistêmicos oferecidos por cavernas, vãos rochosos e fendas subterrâneas. A pesquisa mapeia como ambientes subterrâneos promovem equilíbrio ambiental.
Entre os envolvidos estão pesquisadores brasileiros que ressaltam a relevância das cavernas para a água potável, energia geotérmica e regulação climática. O trabalho destaca a vulnerabilidade desses serviços diante de mudanças ambientais.
A investigação aponta que cavernas respondem por cerca de 75% dos serviços ecossistêmicos já conhecidos. Os serviços envolvem provisão, regulação e dimensões culturais associadas a turismo, lazer e cultura.
Sobre os serviços ecossistêmicos
A pesquisa classifica os serviços em três grupos: provisão, regulação e culturais. Os ambientes subterrâneos atuam de forma relevante em todos eles, com destaque para a regularidade de processos que mantêm a vida no planeta.
O estudo indica que as cavernas fornecem água potável, acolhem espécies úteis à agricultura, participam da depuração de substâncias tóxicas e contribuem para a biodiversidade. A participação cultural envolve turismo e atividades recreativas.
Apenas para fins de referência, os 90 serviços ecossistêmicos reconhecidos estão distribuídos entre provisão, regulação e cultura. O estudo aponta que cavernas contribuem de forma significativa para a maioria desses itens.
Implicações para o Brasil
Com mais de 30 mil cavernas conhecidas, o Brasil representa cerca de 15% das cavernas que se estima existir no país. O texto destaca que mudanças em regras de licenciamento ambiental podem impactar serviços identificados.
Os coautores brasileiros enfatizam a relação custo-benefício de preservar cavernas. Em cenários de transformação global, proteger ambientes subterrâneos ajuda a manter serviços vitais e a resiliência ambiental.
Perspectivas e próximos passos
pesquisadores destacam a necessidade de ampliar a proteção de cavernas e de demais espaços subterrâneos. A continuidade de monitoramento e de políticas públicas é apontada como fundamental para manter serviços ecossistêmicos estáveis.
O estudo reforça a importância de integrar cavernas na conservação, pesquisa e planejamento ambiental. A proteção destes ambientes pode favorecer a disponibilidade de água, recursos biotecnológicos e bem-estar humano.
Entre na conversa da comunidade