- O estudo analisou milhares de mamíferos selvagens e quarenta anos de registros de importações e apreensões para entender a relação entre o comércio de animais silvestres e doenças que passam para pessoas.
- Espécies vendidas internacionalmente tinham cinquenta por cento a mais de chance de compartilhar patógenos com humanos do que as não comercializadas; quanto mais tempo no comércio, mais patógenos compartilhados.
- Quarenta e um por cento das espécies envolvidas no comércio hospedavam pelo menos um patógeno conhecido por infectar humanos, em contraste com seis por cento entre as espécies não comercializadas.
- Os pesquisadores usaram bancos de dados globais de importações legais e de apreensões ilegais, identificando mais de duas mil espécies de mamíferos, o que representa cerca de um quarto das espécies do grupo no planeta.
- Em mercados de animais vivos, os patógenos podem saltar entre espécies e evoluir, elevando o risco de transbordamento para humanos; os dados apontam para maior disseminação a partir do comércio de animais silvestres.
O comércio global de animais silvestres aumenta o risco de transmissão de patógenos de animais para pessoas. Um estudo recente analisou milhares de mamíferos selvagens e 40 anos de registros de importações e apreensões para mapear esse vínculo. Os resultados indicam que espécies vendidas internacionalmente têm maior probabilidade de compartilhar patógenos com humanos.
Espécies envolvidas no comércio tinham 50% mais chances de abrigar patógenos que podem infectar pessoas, em comparação com as que não participaram do comércio. Além disso, quanto mais tempo uma espécie ficou envolvida no comércio global, maior foi a quantidade de patógenos compartilhados.
A pesquisa reforça que a disseminação de doenças zoonóticas está intrinsecamente ligada ao comércio de animais silvestres, incluindo animais vivos, produtos de origem animal e tráfico ilegal. Os cientistas destacam que mercados com animais vivos amplificam o risco de transbordamento para humanos.
Ainda conforme o estudo, o conjunto de dados utilizado envolveu mais de 2.000 espécies de mamíferos, representando cerca de um quarto das espécies do planeta. Entre essas, 41% abrigavam pelo menos um patógeno também conhecido por infectar humanos, frente a apenas 6% das espécies não comercializadas.
Para entender o impacto ao longo do tempo, os pesquisadores registraram anos em que cada espécie foi comercializada, de 1980 a 2019. Em média, a cada década de comércio, houve aumento no número de patógenos compartilhados com humanos. O resultado sugere que o comércio cria oportunidades para patógenos se adaptarem a novos hospedeiros.
Além dos riscos de spillover, o estudo aponta que humanos podem transmitir patógenos a animais silvestres, como demonstrado pela transmissão do Sars-CoV-2 a cervídeos. Os autores ressaltam que tampouco existe comércio considerado seguro.
Implicações e especialistas
Os autores destacam que, embora haja evidências, ainda faltam dados consistentes sobre o tamanho real do comércio de animais silvestres. Diversos especialistas ressaltam a necessidade de mais pesquisas e de dados mais robustos para entender plenamente o risco.
O estudo cita pareceres de especialistas que afirmam: não basta observar casos isolados; é preciso avaliar o comércio de forma ampla, incluindo espécies, trajetos legais e ilegais, e condições de manejo. A pandemia de Covid-19 é citada como exemplo de possível salto inicial em um mercado de animais vivos.
Profissionais ouvidos pelo texto observam que o comércio aumenta oportunidades de transmissão de patógenos. A pesquisa recomenda políticas mais rigorosas, vigilância sanitária mais ampla e maior transparência de dados sobre importação, apreensões e tratamento de animais.
Especialistas lembram que ecossistemas preservados reduzem a probabilidade de spillover, mas reconhecem que o estudo mostra ligação forte entre comércio e risco. Ainda assim, ressaltam que falta clareza sobre a escala do comércio e pedem continuidade das investigações.
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