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Energia solar em Itaipu pode dobrar a capacidade da usina

Ilha solar em Itaipu pode alcançar três mil megawatts, com quatro anos de instalação e potencial atualização do Tratado de Itaipu

Paineis solares da planta de energia fotovoltaica flutuante da usina Itaipu Binacional. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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  • Na área de Itaipu, foram instalados 1.584 painéis fotovoltaicos em menos de 10 mil m² sobre o lago, a 15 metros da margem paraguaia, com profundidade de cerca de sete metros, gerando 1 MWp para uso interno.
  • A usina solar funciona como laboratório de pesquisa para possíveis aplicações comerciais, avaliando interação com o ambiente e impactos em peixes, algas, temperatura da água, ventos, estrutura e ancoragem.
  • A ideia é expandir a geração solar no reservatório no futuro, o que exigiria atualizações no Tratado de Itaipu; a área de 10% do reservatório coberta por painéis seria equivalente a outra usina de Itaipu, segundo o superintendente Rogério Meneghetti.
  • Estimativas indicam quatro anos de instalação para chegar a 3 mil MW de geração solar, equivalente a cerca de 20% da capacidade instalada hoje da hidrelétrica.
  • O projeto tem investimento de US$ 854,5 mil, com um consórcio binacional entre Sunlution (Brasil) e Luxacril (Paraguai).

O reservatório da usina de Itaipu, na fronteira Brasil-Paraguai, é tema de estudo para energia solar sobre a própria água. O projeto, iniciado no fim do ano passado, envolve painéis fotovoltaicos instalados sobre o lago. A iniciativa busca avaliar produção, impactos ambientais e viabilidade comercial futura.

Ao todo foram dispostos 1.584 painéis em uma área de menos de 10 mil m², a 15 metros de uma margem paraguaia e com profundidade de cerca de 7 metros. A planta tem capacidade de 1 MWp, suficiente para abastecer cerca de 650 residências, mantendo-se operada apenas para consumo interno.

A planta funciona como laboratório para pesquisas em geração solar, com foco na interação das placas com o ambiente, efeitos na fauna, na temperatura da água e na dinâmica de ventos. O objetivo é entender o potencial de expansão dentro do reservatório e possíveis mudanças no acordo entre Brasil e Paraguai.

Itaipu Parquetec: laboratório de tecnologias limítrofes

Dentro do Itaipu Parquetec, ecossistema de inovação criado em 2003, há o Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio. O projeto utiliza eletrólise para produzir hidrogênio verde, com uso de energia renovável, sem emissão de CO₂.

A equipe analisa aplicações diversas, incluindo integração com indústria nacional e transporte. Um barco movido a hidrogênio, resultado de pesquisas do Parquetec, foi apresentado na COP30 e atua na coleta seletiva de comunidades ribeirinhas em Belém.

Diversificação energética e baterias

Outro eixo do Parquetec envolve gestão energética e protótipos de baterias para armazenamento. As pesquisas buscam soluções para uso estacionário em empresas e outros pontos com demanda por reserva de energia.

Além disso, a Itaipu investe em biogás e em combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). Resíduos orgânicos de restaurantes e materiais apreendidos são biodigeridos para gerar biometano. Em quase uma década, o processo processou mais de 720 toneladas de resíduos, gerando combustível suficiente para percorrer cerca de 480 mil quilômetros.

A usina aponta que o biometano e o SAF devem ganhar relevância nos próximos 10 anos, impulsionados por leis e demandas por combustíveis com menor impacto ambiental. A iniciativa também inclui o desenvolvimento de biogás a partir de resíduos para abastecer veículos internos.

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