- Estima-se que entre cinquenta e oitenta por cento da cobertura original do Cerrado já foi degradada ou convertida para uso humano, e menos de quatro vírgula cinco por cento da área está protegida por unidades de conservação.
- O Cerrado é visto como berço das águas, com nascentes que alimentam as bacias hidrográficas do São Francisco, Tocantins-Araguaia e Paraná.
- O principal problema, segundo o especialista, é a ocupação desordenada do território, com expansão urbana em áreas impróprias, desmatamento e desaparecimento de veredas.
- César Victor afirma que há desvalorização histórica do Cerrado frente a outros biomas e que incentivos econômicos favorecem o desmatamento, com políticas públicas que permitem esse cenário.
- Propõe gestão integrada entre unidades de conservação, governo, sociedade civil e setor produtivo, reforço de fiscalização, expansão de áreas protegidas e respeito a instrumentos como zoneamento ecológico-econômico e o Plano Diretor de Ordenamento Territorial. Indica risco de novas crises hídricas caso as políticas não sejam ajustadas.
No DF, a preservação do Cerrado ganha importância prática para a água e a qualidade de vida. O foco é o que o bioma representa para as nascentes de grandes sistemas hidrográficos e como a ocupação urbana pode comprometer esse equilíbrio. Este alerta vem de César Victor, engenheiro florestal e colaborador da Funatura, em abril de 2026.
Victor destaca que o Cerrado é berço de água, concentrando nascentes que abastecem bacias importantes, como São Francisco, Tocantins-Araguaia e Paraná. O território do Distrito Federal concentra essa riqueza, que está sob pressão de ocupação desordenada.
A degradação avança pela expansão urbana em áreas impróprias e pelo desmatamento. Segundo o especialista, esse cenário reduz a qualidade ambiental local, com impactos diretos na recarga de aquíferos e na vazão de rios urbanos.
Ele ressalta ainda a desvalorização histórica do Cerrado em relação a outros biomas, particularmente a Amazônia. Questiona políticas públicas que mantêm níveis elevados de desmatamento, alimentados por incentivos do agronegócio e da mineração.
A relação entre conservação e segurança hídrica é enfatizada. Preservar áreas de recarga, nascentes e veredas é visto como essencial para a disponibilidade de água presente e futura. O fortalecimento de políticas de conservação é defendido como prioridade.
Victor aponta sinais de alerta no DF, com regiões já degradadas e pressão para novos loteamentos. Ele critica o papel do zoneamento ecológico-econômico e do Plano Diretor de Ordenamento Territorial, que, segundo ele, têm sido flexibilizados para ampliar o desmate.
Desafios e caminhos
O engenheiro admite que o DF possui instrumentos legais, como o Código Florestal e leis de recursos hídricos, mas aponta carência de vontade política e de recursos para execução eficaz. A gestão integrada entre governo, sociedade civil e setor produtivo é vista como essencial.
Ele também defende ampliar unidades de conservação, investir em fiscalização e manter políticas públicas firmes. A participação da sociedade é considerada indispensável para ampliar a proteção do Cerrado e de seus mananciais.
César Victor encerra ao enfatizar uma organização do crescimento urbano compatível com a preservação ambiental. Em sua leitura, Brasília depende da proteção do Cerrado para manter qualidade de vida e segurança hídrica, hoje e no futuro.
Entre na conversa da comunidade