- Exercícios aeróbicos curtos, como andar rápido ou pedalar, podem melhorar a memória ao gerar ondas de atividade no cérebro logo após o exercício.
- O hipocampo, região ligado à memória, é fortalecido pelo esforço físico, o que pode aumentar o tamanho dessa área com prática regular.
- Pesquisas indicam que caminhar quatro horas após aprender algo pode melhorar a retenção e a recuperação da memória, em comparação com exercício feito logo após o aprendizado.
- O estudo mostrou ondas cerebrais rápidas após o exercício e maior sincronização entre o hipocampo e o restante do cérebro, ajudando a consolidar lembranças.
- Exercícios de alongamento não produziram esse efeito, e a prática regular pode reduzir o declínio cognitivo, além de benefícios imediatos como aumento de dopamina e melhoria de concentração.
O exercício físico simples pode ter impacto imediato na memória. Em estudo recente, pesquisadores observaram ondas de atividade cerebral que ajudam a consolidar lembranças após atividades aeróbicas rápidas. Os resultados apontam para benefícios mesmo com curtos períodos de exercício.
A pesquisa envolveu 14 pessoas com epilepsia resistente a medicamentos, monitoradas com eletrodos durante e após exercícios. Utilizou-se uma bicicleta ergométrica para induzir surtos de atividade, e as alterações foram registradas nas áreas conectadas ao hipocampo, região-chave para memória.
O estudo sugere que, após o exercício, as ondas no hipocampo aumentam e ficam sincronizadas com o restante do cérebro, o que pode favorecer a retenção de informações aprendidas. Observou-se também que o efeito ocorre sem atividade de aprendizado prévia.
Hipocampo e ondas cerebrais
A equipe destacou que essas pulsos ocorrem rapidamente e são difíceis de detectar por scanners comuns, sendo a primeira evidência direta de como o exercício influencia a atividade elétrica cerebral. Os pesquisadores associam a sincronização a uma melhor consolidação das lembranças durante o sono e períodos de repouso.
Os participantes não realizaram tarefas de aprendizado, mas estudos anteriores indicaram que as ondas podem fixar memórias. Os resultados reforçam a ideia de que o esporte ativa vias neurobiológicas que fortalecem lembranças futuras.
Além disso, a pesquisa aponta benefícios adicionais: uma sessão de treino pode melhorar a concentração por até duas horas e elevar os níveis de dopamina. A prática regular pode ampliar esses efeitos ao longo do tempo.
A pesquisadora Flaminia Ronca, do University College London, ressalta que maior aptidão cardiovascular aumenta a produção de proteínas associadas à formação de novas conexões cerebrais, como o BDNF. Ela sugere que manter a prática constante potencializa os benefícios.
A BBC News Brasil destacou que, embora os resultados exigem confirmação, o estudo oferece uma explicação biológica para melhor lembrança ao realizar exercícios após aprender. A equipe planeja novas pesquisas para confirmar a aplicação clínica dessa evidência.
Fonte: BBC Health, versão original em inglês.
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