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Malária pode afetar cognição de crianças até 10 anos após infecção

Estudo na Uganda aponta que malária grave pode reduzir cognição de crianças por até quinze anos após infecção, com perda de quatro a sete pontos de QI

Na zona rural de Uganda, uma mãe coloca seu filho de um ano para dormir dentro de um mosquiteiro
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  • Estudo realizado na Uganda acompanhou quase mil crianças por até quinze anos após episódios graves de malária, incluindo malária cerebral e anemia, e encontrou sequelas cognitivas persistentes.
  • Crianças que sobreviveram apresentaram pior desempenho em testes de cognição geral e matemática, com déficits estimados entre quatro e sete pontos de QI.
  • Aproximadamente entre um milhão e quase dois milhões de crianças são impactadas anualmente por essas sequelas em larga escala.
  • Ainda não está claro o mecanismo exato das lesões duradouras; déficits também foram observados em casos de anemia grave, mesmo sem sinais neurológicos.
  • A pesquisa reforça a importância de fortalecer a prevenção, com redes mosquiteiras e vacinas, para evitar não apenas mortes, mas prejuízos ao aprendizado e ao desenvolvimento.

O que aconteceu: um estudo de longo prazo conduzido na Uganda acompanhou quase mil crianças por até 15 anos após episódios graves de malária, incluindo malária cerebral e anemia grave. Os resultados, publicados na revista JAMA no último sábado (18), indicam prejuízos cognitivos persistentes, principalmente em testes de cognição geral e matemática.

Quem está envolvido: a pesquisa foi liderada por Paul Bangirana, do Hospital Universitário Makerere, e Chandy John, da Universidade de Indiana. Os dados foram coletados com participação de uma coorte de crianças que sobrevivem à malária grave e que foram reavaliadas ao longo de anos.

Quando e onde: os trabalhos iniciais ocorreram entre 2008 e 2015, com uma segunda validação entre 2014 e 2018. Em 2020, 939 dos 1.438 participantes originais foram localizados para novos testes, em média 8,4 anos após a inscrição inicial, em Uganda.

Por quê: os resultados sugerem que sequelas cognitivas podem permanecer mesmo após a recuperação clínica. Déficits equivalem a uma perda de 4 a 7 pontos de QI, impactando o aprendizado e o desenvolvimento de crianças em larga escala. Além disso, crianças com anemia severa também apresentaram prejuízos, mesmo sem sintomas neurológicos aparentes.

Desdobramentos e buscas por explicação: ainda é incerto quais mecanismos causam danos duradouros. Lesões cerebrais agudas ajudam a explicar parte dos déficits, mas o papel da anemia exige mais investigação. Os pesquisadores reforçam a necessidade de monitorar a hemoglobina ao longo da recuperação.

Prevenção e implications: os autores destacam que estratégias preventivas ganham relevância ampliada. Redes mosquiteiras e vacinas recém-implementadas contra malária passam a ter impacto não apenas na mortalidade, mas na proteção cognitiva de crianças. A prevenção aparece como ferramenta essencial para o desenvolvimento humano.

Contexto global: segundo a OMS, a malária atingiu mais de 282 milhões de pessoas em 2024 e provocou cerca de 610 mil mortes. O estudo acrescenta que sobreviventes podem enfrentar desafios cognitivos duradouros, ressaltando a importância de políticas de saúde pública que reduzam a transmissão e promovam cuidado contínuo.

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