- Em Arraial do Cabo, o Projeto Costão Rochoso monitora tartarugas-verdes na Praia do Pontal para entender de onde vêm, com apoio da Petrobras.
- Durante as atividades, mergulhadores capturam os animais, realizam pesagem, medidas e coleta de tecido; fotografias ajudam a identificar cada tartaruga.
- A região abriga a maior densidade de tartarugas-verdes do Brasil e comporta as cinco espécies existentes no país.
- Cerca de quinhentos indivíduos já foram catalogados desde 2018, com oitenta deles passando por coleta de DNA; os resultados devem ficar prontos em cerca de seis meses.
- O projeto também avalia a distância de aproximação humana e planeja uma cartilha de boas práticas de observação para turismo e conservação marinha.
Em Arraial do Cabo, litoral fluminense, mergulhadores capturam tartarugas verdes para monitoramento na Praia do Pontal, dentro da Reserva Extrativista Marinha. A ação, realizada em uma tarde de mar calmo, integra o Projeto Costão Rochoso, da ONG Fundação Educacional Ciência e Desenvolvimento, com apoio da Petrobras.
Os profissionais capturam as tartarugas apenas para exame e diagnóstico de saúde, sem finalidade predatória. Após o manejo, as tartarugas são devolvidas ao ambiente. A equipe realiza pesagem, medições e coleta de tecido para entender a origem das espécies que habitam o município.
O objetivo central é descobrir de onde vêm as tartarugas que vivem em Arraial, a área com maior densidade de tartarugas-verdes do Brasil. A pesquisadora Juliana Fonseca explica que, apesar da abundância local, ainda não se sabe a origem de cada indivíduo.
A investigação envolve uma bateria de análises, incluindo DNA, para mapear estoques populacionais que dependem da área de Arraial do Cabo. A equipe espera resultados em aproximadamente seis meses, por meio de parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF).
Identificação e DNA
O projeto monitora a saúde de tartarugas-verdes e tartarugas-pente em três praias de Arraial do Cabo e na Ilha de Cabo Frio, todas dentro da reserva marinha. Além de casco, nadadeiras e rabo, são registradas medidas minuciosas, inclusive das unhas.
Fotografias e softwares de identificação ajudam a reconhecer os indivíduos pela cabeça, com placas de formato único, semelhante a uma impressão digital. Desde 2018, já foram catalogados cerca de 500 tartarugas; 80 passaram por coleta de DNA para cruzar informações sobre origem.
Aproximação humana
Outra linha de pesquisa do Costão Rochoso avalia a distância de aproximação humana que as tartarugas toleram. A equipe utiliza uma aproximação simulada para observar mudanças de comportamento e estimar a distância mínima segura para observação turística.
Com base nesses dados, será elaborada uma cartilha de boas práticas para turismo responsável em Arraial e outras regiões do Brasil e do mundo. Durante as atividades, diversas pessoas na praia acompanham o trabalho, com sinalização educativa instalada no calçadão.
Para realizar as captura, a equipe precisa de formação em áreas como veterinária, biologia ou oceanografia, além de autorizações do ICMBio e do Projeto Tamar. A cada visita, os pesquisadores notificam guardas ambientais e apresentam as autorizações pertinentes.
Repórter e fotógrafo viajaram a convite da Petrobras, parceira do Projeto Costão Rochoso. A divulgação de resultados ocorre conforme o cronograma institucional, com divulgação pública dos dados coletados.
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