- O pesquisador Nuno Rodrigo Madeira, de 54 anos, atuante na Embrapa Hortaliças em Brasília, trabalha com plantas alimentícias não convencionais (PANC) para o futuro da alimentação.
- Em 2006, tornou-se curador de germoplasma de hortaliças não convencionais, defendendo que a conservação se dá pelo uso, incluindo cultivo e promoção do consumo.
- O trabalho dialoga com agroecologia, agricultura urbana, paisagismo produtivo, nutrição, ciências da saúde e culinária, dando protagonismo a espécies como Araruta, Ora-pro-nóbis, Taioba, entre outras.
- Brasília é vista como ambiente propício para conectar produtores, consumidores e expressões culturais ligadas à alimentação, ampliando o alcance para além do público técnico.
- Em 2008, participou de mesa sobre alimentos tradicionais no Slow Food Brasil; o episódio reforçou a importância de apoio científico e de manter o vínculo entre tradição e inovação na alimentação.
Nuno Rodrigo Madeira, pesquisador da Embrapa Hortaliças, em Brasília desde 2002, atua para ressignificar a alimentação por meio de plantas alimentícias não convencionais (PANC). O foco é ampliar o diálogo entre campo e cidade.
A trajetória ganhou impulso em 2006, quando passou a curar uma coleção de germoplasma de hortaliças não convencionais. A preservação, porém, não ficou apenas no armazenamento, e o uso tornou-se parte central do trabalho.
Para Madeira, a conservação efetiva envolve cultivo e promoção do consumo dessas espécies. O projeto dialoga com agroecologia, nutrição, saúde e gastronomia, rompendo fronteiras da agronomia tradicional.
Espécies antes consideradas secundárias, como Araruta, Taioba e Ora-pro-nóbis, passam a ocupar lugar de destaque. A urbanização e a globalização, segundo ele, contribuíram para a perda de referências alimentares locais.
Brasília figura como elemento estruturante da história. A cidade facilita a conectividade entre produtores, consumidores e manifestações culturais ligadas à alimentação, fortalecendo o diálogo entre campo e cidade.
A atuação ganhou amplitude ao longo dos anos, indo além de públicos técnicos. Madeira ressalta a importância de levar o conhecimento a cidadãos comuns, mantendo rigor científico e acessibilidade.
Em 2008, participou de uma mesa-redonda sobre alimentos tradicionais em evento de Slow Food no Brasil. O encontro, que reuniu mais de 600 pessoas, reforçou a percepção de uma mudança institucional necessária.
Entre chefs de Brasília, Pirenópolis e Tiradentes, a discussão trouxe reconhecimento sobre a escassez de apoio científico a essas plantas e sinalizou uma postura mais aberta da comunidade acadêmica.
A experiência consolidou a ideia de que inovar não é apenas criar algo novo, mas recuperar saberes do passado para o futuro. Madeira resume o objetivo como sensibilizar cada geração para as origens dos alimentos.
O legado que busca ampliar não se restringe ao âmbito institucional. Mesmo aposentado, ele continua plantando um quintal produtivo, mantendo viva a conexão entre tradição e inovação.
Em tempos de mudanças climáticas e desafios alimentares, a trajetória de Madeira aponta para uma estratégia única: usar inovação e memória alimentar como parte de um caminho comum para o futuro da alimentação.
Entre na conversa da comunidade