- Governo de Sri Lanka aprovou parques solares privados junto ao Hambantota Managed Elephant Range, com até 405 hectares de habitat de elefantes a serem desmatados.
- MONLAR afirma que obras já começaram com máquinas pesadas, levantando temores de intensificação do conflito humano-elefante na região com mais de 400 elefantes.
- Dados do Departamento de Conservação da Vida Selvagem indicam que, entre 2015 e 2025, Hambantota teve 72 mortes humanas e 154 mortes de elefantes.
- O projeto envolve 17 unidades menores avaliadas separadamente por IEEs; somadas, gerariam 150 MW e abririam quase 202 hectares de scrub forest para desmatamento, o que levanta necessidade de uma EIA consolidada.
- A disputa envolve ações legais e administrativas: CEJ acionou a Suprema Corte; gazette recente impõe regras MER, enquanto autoridades analisam possíveis irregularidades e necessidade de avaliação ambiental mais ampla.
Em Hambantota, no Sri Lanka, um conjunto de grandes parques solares está sendo instalado às margens da Área Gerenciada de Elefantes (MER). Ativistas, agricultores e conservacionistas divergem: enquanto o governo aprova a expansão de energia limpa, há temor de que a retirada de florestas agrave o conflito entre humanos e elefantes (HEC) na região.
Segundo MONLAR, rede de organizações agrícolas, o projeto envolve uma usina solar com capacidade prevista de 150 MW, abrangendo até 405 hectares de habitat de elefantes. A organização acusa remoção de florestas para a construção de parques, o que poderia intensificar os encontros entre elefantes e comunidades locais.
Dados do Departamento de Conservação da Vida Selvagem mostram que, entre 2015 e 2025, Hambantota registrou 72 mortes humanas e 154 de elefantes, evidenciando o desafio de coexistência. Agricultores locais relatam medo crescente com o avanço do projeto e a perda adicional de áreas de cultivo.
Aprovação e andamento
O governo autorizou a construção de múltiplos parques solares privados na fronteira da MER. A área abatida em Hambantota já é citada como uma das mais afetadas pelo desmatamento, ocorrendo em meio a portos, aeroportos e outras infraestruturas. A decisão ocorreu após pressões de comunidades agrícolas e de organizações ambientais ao longo dos anos.
Em relação ao MER, especialistas destacam que a área definida pela gazeta de 2021 ficou menor que o inicialmente proposto, o que gerou críticas sobre possíveis brechas para desenvolvimento. Pesquisadores afirmam que áreas originalmente destinadas à conservação foram excluídas para viabilizar infraestrutura, reduzindo a eficácia da estratégia de manejo.
Avaliação ambiental e próximos passos
O cs de meio ambiente regula a concessão de licenças via Lei Nacional de Meio Ambiente. Parques solares de grande porte costumam exigir EIA completa, enquanto componentes menores podem seguir apenas IEEs. No caso de Hambantota, o conjunto de 17 unidades de projetos foi avaliado individualmente, gerando preocupação sobre impactos cumulativos.
O Centro de Justiça Ambiental (CEJ) sustenta que a soma das licenças individuais não substitui uma avaliação ambiental integrada para o parque, e orienta autoridades a conduzir uma EIA abrangente. O CEA, por sua vez, afirma que, se as unidades forem agrupadas, novas avaliações devem ser consideradas, e investiga possíveis irregularidades.
Contexto energético e equilíbrio entre conservação
O Sri Lanka busca ampliar fontes renováveis para reduzir dependência de combustíveis fósseis, mirando a neutralidade de carbono até 2050. Apesar do potencial, a participação da solar na matriz elétrica nacional permanece em torno de 8%, com a hydropower respondendo por cerca de 40%.
Especialistas ressaltam que a viabilidade econômica e a segurança energética não devem comprometer a biodiversidade. A região de Hambantota, com mais de 400 elefantes, é apresentada como área estratégica para geração solar, sob condições de manejo cuidadoso que evitem impactos irreversíveis sobre o ecossistema local.
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