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Rochas do fundo do mar produzem oxigênio sozinhas, muda visão da ciência

Nódulos polimetálicos no fundo do mar geram oxigênio por eletrólise sem luz, desafiando a origem da vida e abrindo pistas para vida em mundos gelados

Rochas no fundo do mar estão produzindo oxigênio sozinhas e isso mudou tudo que a ciência acreditava sobre a vida
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  • Descoberta de oxigênio negro no fundo do Pacífico, a mais de quatro mil metros de profundidade, produzindo oxigênio sem luz solar.
  • Nódulos polimetálicos atuam como geobaterias naturais, gerando voltagem de até cerca de 1,5 volt e promovendo a eletrólise da água.
  • Localizada na Zona Clarion-Clipperton, entre o Havaí e o México, a pesquisa foi publicada na revista Nature Geoscience.
  • A descoberta sugere que o oxigênio aeróbico pode ter existido antes de plantas e cianobactérias, o que pode reconfigurar a compreensão da origem da vida.
  • A mineração de nódulos submarinos passa a ser tema de preocupação ambiental, e os cientistas planejam mapear a ocorrência do fenômeno em outras regiões do assoalho oceânico.

O oxigênio negro, produzido por rochas no fundo do mar, desafia a visão tradicional de que o oxigênio da Terra vem apenas do Sol. Em profundidades superiores a 4 mil metros, nódulos metálicos geram oxigênio sem luz, por meio de eletrólise mineral.

Pesquisadores da Associação Escocesa de Ciência Marinha (SAMS) identificaram rochas polimetálicas que funcionam como geobaterias naturais. O estudo indica que esses nódulos produzem oxigênio continuamente, mesmo na ausência total de iluminação.

O trabalho, liderado pelo professor Andrew Sweetman, foi publicado na Nature Geoscience e foca na Zona Clarion-Clipperton, entre o Havaí e o México, uma planície abissal rica em minerais.

Zona de estudo e características dos nódulos

Os nódulos contêm cobalto, níquel e manganês, metais que ajudam na condução elétrica no leito oceânico. As rochas registram voltagem próxima de 1,5 volt, suficiente para promover a quebra de moléculas de água.

Essa produção de oxigênio ocorre em ambiente sem luz, diferente da fotossíntese. A descoberta abre a hipótese de que o oxigênio aeróbico pode ter surgido antes de plantas terrestres ou cianobactérias.

Implicações para a origem da vida

A possibilidade de oxigênio gerado de forma mineral sugere ambientes onde a respiração poderia ter evoluído antes de formas fotossintéticas. A pesquisa amplia as hipóteses sobre os locais de início da vida na Terra.

Os cientistas destacam o impacto sobre a busca por vida em luas geladas de Jupiter e Saturno, onde océanos subterrâneos podem apresentar oxigênio de origem mineral. A cronologia evolutiva pode precisar de revisão.

Mineração submarina e riscos ambientais

A presença de oxigênio em rochas profundas aumenta o escrutínio sobre atividades de mineração em águas profundas. Extrair esses nódulos para baterias de veículos elétricos levanta preocupações sobre impactos ecossistêmicos locais.

Autoridades e pesquisadores defendem avaliação cuidadosa de impactos, com monitoramento ambiental e limites de exploração para preservar o ecossistema marinho.

Perspectivas e próximos passos

Os cientistas planejam mapear a ocorrência do oxigênio negro em outras áreas do fundo oceânico. Entender a extensão do fenômeno ajuda a esclarecer o papel dos oceanos no ciclo do carbono.

A pesquisa sinaliza uma nova fronteira na oceanografia, onde geologia e biologia se encontram. O oxigênio negro pode passar de curiosidade a componente central da compreensão de mundos escuros e da vida.

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