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Áreas protegidas pela UNESCO funcionam como refúgios da biodiversidade

Áreas protegidas pela UNESCO mantêm a fauna estável e armazenam 240 gigatoneladas de carbono, mas enfrentam estresse ambiental e risco de pontos de inflexão até 2050

Desde 1986, o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, é considerado patrimônio da humanidade pela Unesco - (crédito: Wikimedia Commons/Divulgação )
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  • Sítios designados pela Unesco somam cerca de 2.260 territórios, cobrindo ~13 milhões de km², com 23 no Brasil.
  • Esses locais abrigam 60% das espécies conhecidas e 40% são endêmicas, armazenando cerca de 240 gigatoneladas de carbono.
  • Contribuem com aproximadamente 15% da absorção anual de CO₂ pelas florestas, equivalente a parte das emissões globais atuais.
  • Quase 90% dos sítios estão sob alto estresse ambiental; desde 2000, foram perdidos mais de 300.000 km² de cobertura arbórea.
  • Riscos climáticos aumentaram 40% na última década; mais de um quarto dos locais pode atingir pontos de inflexão até 2050, com impactos irreversíveis.

Em um relatório inédito, a Unesco revela que áreas protegidas vinculadas à Organização atuam como refúgios para a biodiversidade global. O estudo avalia patrimônio mundial, reservas da biosfera e geoparques, somando 2.260 territórios que cobrem cerca de 13 milhões de km². No Brasil, 23 sítios são destacados.

A pesquisa aponta que, enquanto animais selvagens sofrem queda de 73% desde 1970, as populações dentro dos sítios da Unesco permanecem relativamente estáveis. Esses espaços abrigam 60% das espécies conhecidas, incluindo 40% endêmicas.

O relatório indica ainda que as áreas protegidas armazenam cerca de 240 gigatoneladas de carbono, equivalente a quase duas décadas de emissões globais atuais. Em termos de absorção anual de CO2, respondem por 15% do total das florestas mundiais.

Participação local e casos-diários

Tales Carvalho Resende, diretor de projetos do comitê de patrimônio mundial da Unesco, ressalta a importância de comunitários e povos originários. Em Virunga, Congo, conservação comunitária acompanhou o crescimento de 5% na população de gorilas na última década.

Segundo o pesquisador brasileiro, os sítios abriguem aproximadamente 20 mil espécies ameaçadas, incluindo casos icônicos como a vaquita marinha, com apenas cerca de 10 indivíduos no Golfo da Califórnia. A presença dessas áreas é destacada como último refúgio de várias espécies.

Desafios climáticos

O documento traz um alerta: quase 90% dos sítios enfrentam estresse ambiental elevado, e os riscos climáticos cresceram 40% na última década. A projeção aponta que mais de um quarto das áreas possa atingir pontos de inflexão até 2050, com impactos potencialmente irreversíveis.

Tales Resende afirma que as florestas dentro dos sítios absorvem cerca de 700 milhões de toneladas de CO2 por ano, equivalente às emissões anuais de combustíveis fósseis da Alemanha. Martin Delaroche, especialista da Unesco, ressalta que cada grau de aquecimento evitado reduz o número de sítios em risco.

Desempenho e riscos por região

O relatório destaca queda de um terço nos glaciares protegidos, incluindo todas as geleiras africanas, além de possíveis branqueamentos de corais e estresse hídrico. Atualmente, 98% dos sítios já enfrentaram algum risco climático desde 2000.

O estudo cita que mais de 3 milhões de km² de cobertura arbórea sumiram desde 2000 em sítios da Unesco, com a expansão agrícola e a exploração madeireira entre as principais causas. Incêndios induzidos pelo clima aparecem como fator relevante de perda florestal.

Chamado à ação

O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, descreve o relatório como um chamado para reconhecer os sítios como ativos estratégicos no combate à mudança climática e à perda de biodiversidade. A mensagem enfatiza proteção de ecossistemas, culturas e modos de vida para as futuras gerações.

Destaques

  • Cerca de 2.260 sítios cobrem 13 milhões de km², área maior que China e Índia somadas.
  • Mais de 900 milhões de pessoas vivem em ou ao redor desses sítios.
  • Mais de 1.000 línguas estão documentadas nesses locais, representando cerca de 15% das línguas do planeta.
  • Pelo menos 25% dos sítios envolvem terras de povos indígenas.
  • Abriga mais de 60% das espécies mapeadas; 40% estão ali exclusivamente.
  • Protegem até 1/3 de elefantes, tigres, pandas e parte de grandes símios, girafas e rinocerontes.
  • Absorvem 700 megatoneladas de CO2 por ano; as florestas nesses sítios respondem por 85% dessa absorção.
  • Os sítios armazenam 240 gigatoneladas de carbono, próxima a duas décadas de emissões globais atuais.
  • Quase 90% enfrentam estresse ambiental; riscos climáticos cresceram 40% na última década.
  • Mais de 300.000 km² de área arbórea sumiram desde 2000; incêndios são fator relevante de perda.

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