- FAO e a Organização Meteorológica Mundial divulgaram, em 22 de abril de 2026, um relatório dizendo que o calor extremo coloca em risco o sustento de mais de um bilhão de pessoas que dependem da agricultura.
- Em regiões quentes, trabalhadores rurais podem não conseguir trabalhar com segurança por até 250 dias ao ano, ou seja, mais de dois terços do tempo.
- A mortalidade de animais aumenta: vacas leiteiras produzem menos leite e peixes sofrem com menos oxigênio na água; porcos e galinhas podem enfrentar falência de órgãos em temperaturas altas.
- A produção de culturas como milho e trigo já cai em torno de 10% em algumas áreas; ondas de calor oceânicas reduzem o oxigênio dissolvido, afetando peixes.
- Sistemas alimentares industrializados, baseados em monoculturas e pecuária intensiva, são mais vulneráveis a choques climáticos; previsões meteorológicas podem ajudar a alertar agricultores com antecedência.
A FAO e a OMM divulgaram um relatório nesta quarta-feira, 22 de abril de 2026, sobre os impactos das altas temperaturas na produção agrícola global. O documento aponta que os meios de subsistência de mais de 1 bilhão de pessoas que vivem da agricultura estão em risco.
O estudo alerta que o alimento produzido em algumas regiões já chega ao limite devido ao calor. Em áreas quentes, agricultores podem trabalhar com segurança por apenas até 250 dias por ano, o que supera dois terços do tempo.
Regiões mais afetadas incluem grande parte da Índia e do sul da Ásia, a África Subsaariana tropical e extensas áreas da América Central e do Sul. As altas temperaturas também elevam a mortalidade de animais, prejudicam a produção de leite e reduzem a gordura e proteína do leite.
Aquecimento impacta diretamente culturas como milho e trigo, cuja produção já caiu em algumas áreas. Ondas de calor oceânicas reduzem o oxigênio na água, afetando significativamente populações de peixes.
Vulnerabilidade de sistemas alimentares
Os autores destacam que sistemas industrializados, baseados em monoculturas e pecuária, tendem a ser mais vulneráveis. Esses modelos dependem de insumos como fertilizantes e de gestão intensiva, o que dificulta a adaptação a choques climáticos.
A pesquisa aponta que a agricultura moderna, com menos diversidade de plantas e animais, reduz abrigo natural como sombra e rotação de culturas. O aquecimento global, segundo o relatório, eleva temperaturas acima do adequado para a produção local de alimentos em várias regiões.
Alertas e oportunidades de ação
Os pesquisadores dizem que muito pode ser feito para melhorar a resiliência, já que ondas de calor costumam ser previsíveis. Previsões meteorológicas e alertas via celular podem avisar agricultores antes de choques climáticos.
O estudo também indica que falhas simultâneas de safras podem impactar preços de alimentos, cadeias de suprimentos e economias nacionais. Medidas de adaptação podem incluir diversificação de culturas, manejo de títulos de estoque e melhoria de irrigação.
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