- Uma revisão da WIRED aponta que projetos de data centers movidos a gás natural ligados a OpenAI, Meta, Microsoft e xAI poderiam emitir mais de 129 milhões de toneladas de gases de efeito estufa por ano.
- Os projetos são em sua maioria “behind the meter” (energia sem ligação direta à rede), ou seja, geram sua própria energia para os data centers.
- Exemplos citados incluem Colossus 1, em Memphis, e Colossus 2, em Southaven, com emissões potenciais de mais de 6,4 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano em cada campus.
- Emissões também aparecem significativas em outros casos: projeto da Microsoft no Texas supera 11,5 milhões de toneladas por ano; três projetos da Meta em Ohio podem chegar a até 5,5 milhões de toneladas anuais.
- Outros empreendimentos, como Stargate (Abilene e Novo México), Fermi no Texas e Pacifico Energy no Texas, aparecem com potenciais de dezenas de milhões de toneladas anuais; permissões não garantem construção.
A análise da WIRED sobre licenças de projetos de data centers alimentados a gás natural aponta para emissões superiores a 129 milhões de toneladas de gases de efeito estufa por ano. Os empreendimentos são ligados a empresas como OpenAI, Meta, Microsoft e xAI.
Os planos envolvem operações behind-the-meter, ou seja, geração de energia fora da rede para atender exclusivamente aos data centers. A proposta é acelerar a construção de infraestrutura de IA com geração local de energia, diante de atrasos na conexão à rede elétrica tradicional.
Entre os exemplos citados, está o campus Colossus, em Memphis, no Tennessee, da xAI, que já gerou protestos locais por poluição. Reguladores deram aprovação para o uso de turbinas a gás nesses complexos, incluindo outro campus em Southaven, no Mississippi, apesar de resistência comunitária.
As licenças indicam que as turbinas de Colossus e Colossus 2 poderiam emitir mais de 6,4 milhões de toneladas de CO2 equivalentes por ano em cada site, somando mais de 12,8 milhões de toneladas. O total estimado representa volume similar ao de dezenas de usinas a gás médias.
A Microsoft também aparece no levantamento, com planos de energia a partir de um projeto de gás natural apoiado pela Chevron no Texas. A permissão mostraria emissões acima de 11,5 milhões de toneladas de gases por ano, o que equivaleria ao total anual de todo o país Jamaica.
A redução de emissões prometida por algumas empresas é discutida pelos documentos. Cerca de duas a três etapas de projeto indicam que as emissões efetivas podem ficar abaixo das estimativas apresentadas, porém ainda assim representariam volumes relevantes para o setor.
Outros projetos de destaque incluem o Stargate, com campus em Abilene, Texas, e em New Mexico, que somam emissões potenciais superiores a 24 milhões de toneladas por ano. Em Abilene, a parceria com Crusoe envolve a construção de uma usina para suportar a infraestrutura da Microsoft.
Em Amarillo, no Texas, o projeto Fermi, apresentado como campus de energia avançada, projeta emissoes que podem superar 40 milhões de toneladas de CO2 por ano em dois gas plants combinados, estimando um footprint acima das emissões de toda a matriz energética de Connecticut.
Próximo a Fort Stockton, a Pacifico Energy desenvolve um complexo de 7,2 gigawatts, com emissões potenciais acima de 33 milhões de toneladas anuais. A empresa não respondeu a pedidos de comentário.
Meta está ligada a três projetos de gás natural em Ohio para alimentar data centers, totalizando até 5,5 milhões de toneladas de CO2 por ano. A companhia também negocia com a Entergy para suprir um data center no Louisiana, com estimativas de quase 5,2 milhões de toneladas anuais, e anunciou planos de novos gas plants para atender clientes de energia, com possível captura de carbono.
As informações foram obtidas a partir de licenças públicas disponíveis em bancos de dados estaduais, além de materiais de licenças coletados por Cleanview e Oil and Gas Watch. Emissões reais costumam ficar abaixo das previstas, pois modelos consideram operação contínua em plena capacidade, cenário improvável na prática.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a emissão de gases pode continuar alta mesmo com reduções, e que a dependência de gás natural pode dificultar metas climáticas em longo prazo. Observam que gargalos na cadeia de suprimento de turbinas eficientes elevam o uso de modelos menos eficientes e aumentam o tempo de operação.
Caso permaneçam, esses projetos podem ampliar significativamente o peso das emissões associadas à construção de infraestrutura de IA, mesmo diante de transições para renováveis e nuclear. O estudo cita ainda que a soma de projetos existentes já supera em muito limites considerados seguros para metas climáticas internacionais.
A comunidade científica e ambiental assinala que, mesmo com ajustes de emissão, o crescimento dos data centers alimentados a gás natural representa um desafio para balanços de carbono de grandes empresas de tecnologia, que já firmaram compromissos de redução. As partes não comentaram sobre cenários futuros ou mudanças de planos.
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