- Em 1943, os patologistas alemães Eberhard Schairer e Erich Schöniger ligaram câncer de pulmão ao consumo de tabaco, observando aumento tanto em áreas rurais quanto urbanas e maior incidência entre homens, embora jovens também fossem expostos.
- O estudo antecedeu as conclusões de Doll e Hill, mas era pequeno e seus métodos foram questionados; cópias não chegaram ao Reino Unido durante a Segunda Guerra.
- Após a guerra, o interesse nos efeitos do tabagismo na Alemanha Ocidental diminuiu, em parte por associação com o regime nazista, atrasando investigações e políticas públicas.
- O Terceiro Reich promoveu campanhas de saúde que misturavam mensagens de bem-estar nacional, incluindo antipágio ao tabaco, com apoio de figuras como Adolf Hitler e financiadores como Karl Astel.
- Historiadores sugerem que o atraso na luta contra o tabaco na Alemanha Ocidental atrasou avanços em políticas de saúde pública por décadas, mesmo com a evidência de que fumar aumenta o risco de câncer de pulmão.
Dois patologistas alemães realizaram um estudo que sugere ligação entre tabaco e câncer de pulmão já em 1943, muito antes das conclusões de Doll e Hill na década de 1950. A pesquisa ficou pouco conhecida fora da Alemanha e, por vezes, deixou de influenciar políticas públicas globais.
Schairer e Schöniger observaram aumento de câncer de pulmão entre homens, tanto em áreas rurais quanto urbanas, ao longo de décadas. Eles levantaram que a fumaça de tabaco era uma explicação mais plausível do que gases de escapamento, e investigaram hábitos de fumantes em questionários.
Apesar de a amostra ser pequena e haver dúvidas sobre métodos, o estudo foi considerado por Doll como perspicaz e relevante, mesmo não sendo prova definitiva. A ideia de que o tabagismo poderia causar câncer ganhou força com o tempo, fora da Alemanha.
O que prejudicou a divulgação global foi que o estudo foi publicado em alemão, em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, e não chegou ao Reino Unido ou a outras nações durante o conflito. A comunicação científica ficou comprometida pelo contexto beligerante.
No pós-guerra, a avaliação do estudo foi ainda impactada pela ligação dos autores ao Terceiro Reich. Doll destacou que o interesse no tema diminuiu na Alemanha Ocidental, em parte devido a políticas antitabagistas promovidas pelo regime nazista.
O financiamento da pesquisa de Schairer e Schöniger veio de Astel, figura ligada ao aparato nazista. Astel apoiou pesquisas ligadas à higiene racial e ao Holocausto, o que complicou a leitura histórica sobre a validade científica do estudo.
Historiadores apontam que o atraso na adoção de políticas contra o tabaco na Alemanha Ocidental pode ter sido prolongado por esse contexto político e ideológico. O debate atual busca separar méritos científicos de acusações morais.
A história serve para lembrar que descobertas científicas, quando associadas a regimes impopulares, podem ter seu impacto dissolvido no tempo. Mesmo assim, a relação entre tabagismo e câncer de pulmão ficou comprovada por evidências posteriores.
Ao longo das décadas seguintes, climatizações científicas externas ajudaram a consolidar a ligação entre fumar e câncer. A pesquisa alemã de 1943, embora reconhecida por alguns, não conseguiu influenciar as políticas públicas de forma imediata.
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