- O Instituto Nacional de Câncer estima 12.200 novos casos de leucemia no triênio 2026-2028, sendo cerca de 30% leucemia mieloide aguda e 61% dos diagnósticos em pessoas com 65 anos ou mais.
- Historicamente, a LMA em idosos enfrentava alta agressividade, comorbidades e fragilidade que tornavam a quimioterapia intensiva ou transplante de medula inviáveis.
- Avanços em medicina de precisão e terapias-alvo passam a permitir tratamentos personalizados, baseados em mutações genéticas identificáveis na maioria dos casos.
- O fármaco ivosidenib, primeiro inibidor seletivo para mutações no gene IDH1, foi aprovado no Brasil em 2025, abrindo caminho para opções menos agressivas.
- O prognóstico tem se modificado para maior longevidade e menor toxicidade, conectando preservação da qualidade de vida ao convívio familiar; pesquisas também destacam uso de inteligência artificial e aprendizado de máquina para refinar estratificação de risco.
No Brasil, o INCA estima 12.200 novos casos de câncer de sangue entre 2026 e 2028, com cerca de 30% classificados como leucemia mieloide aguda (LMA). A incidência aumenta com a idade, concentrando-se em 61% dos diagnósticos em pessoas com 65 anos ou mais.
Historicamente, a LMA em idosos apresentava alta agressividade. Comorbidades e fragilidade física tornavam difícil o acesso à quimioterapia intensiva ou ao transplante de medula óssea, elevando a toxicidade e os riscos de mortalidade relacionada ao tratamento.
A evolução da medicina de precisão trouxe terapias-alvo, que atuam em alterações moleculares específicas das células tumorais. Essas abordagens têm aberto oportunidades de tratamento mais personalizado e menos agressivo para mutações comuns na LMA.
Novo marco terapêutico: terapias-alvo no Brasil
Um exemplo é o ivosidenibe, inibidor seletivo direcionado a mutações no gene IDH1, aprovado no Brasil em 2025. A novidade inaugura uma era de tratamentos menos agressivos para pacientes com LMA, especialmente idosos, com maior expectativa de vida.
Do ponto de vista clínico, há ganho de sobrevida que pode se estender por anos, acompanhado de menor toxicidade. O foco passa a incluir preservação do convívio familiar e da funcionalidade diária dos pacientes.
O tema também ganha impulso com avanços em inteligência artificial e machine learning para analisar dados genômicos. Publicações como o The Lancet Haematology destacam esse papel na estratificação de risco e na identificação de novos alvos terapêuticos.
Para o idoso, a ciência atual oferece possibilidades de tempo com mais dignidade e autonomia, sem depender de tratamentos que comprometam tanto a qualidade de vida.
Jordana Aragão é médica hematologista, integrada ao Grupo Oncoclínicas e ao INCA (RJ), com atuação em diagnóstico e tratamento de neoplasias hematológicas.
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