- Exercícios aeróbicos simples, como andar ou pedalar, podem melhorar a memória ao provocar ondas de atividade no cérebro.
- Em estudo com quatorze pessoas, o exercício elevou a atividade elétrica no hipocampo e em regiões conectadas, ajudando a consolidar lembranças.
- Caminhar quatro horas após aprender algo novo pode melhorar a retenção e a recuperação da memória, diferente de fazer o exercício imediatamente após o aprendizado.
- Os exercícios de alongamento não mostraram benefício significativo para a memória.
- A prática regular de atividades físicas aumenta a aptidão física e a produção de BDNF, ajudando na formação de novas conexões cerebrais e potencialmente protegendo o cérebro contra o declínio cognitivo.
O estudo mostra que exercícios aeróbicos simples podem gerar ondas de atividade no cérebro, fortalecendo a memória. Em 14 voluntários, a prática de bicicleta ergométrica resultou em surtos de atividade elétrica logo após o exercício. O objetivo foi entender como o hipocampo é afetado.
Os participantes eram pacientes com epilepsia resistente a medicamentos, com eletrodos temporários implantados para monitorar a atividade cerebral. A pesquisa acompanhou a resposta elétrica no hipocampo e em áreas conectadas à memória após o esforço.
Os pesquisadores observam que as ondas geradas logo após o exercício ajudam na consolidação de lembranças. A sincronização dessas atividades com o restante do cérebro pode explicar a melhoria na retenção de informações aprendidas recentemente.
O estudo indica que o exercício moderado repetido ao longo de semanas aumenta o tamanho do hipocampo, fortalecendo estruturas ligadas à memória. O momento do treino também é relevante: caminhar horas depois do aprendizado pode ampliar a retenção.
O trabalho destaca que apenas breves surtos de atividade são necessários para observar efeitos cerebrais, sugerindo benefícios imediatos de treinos curtos. As ondas ocorrem rápido demais para serem captadas por scanners comuns.
A equipe, liderada pela neurocientista Michelle Voss, ressalta que a experiência reforça a compreensão de mecanismos de memória. Pacientes com epilepsia contribuíram com monitoramento direto da atividade elétrica, sem envolver tarefas de aprendizado no protocolo.
Segundo Voss, a sincronia entre o hipocampo e outras regiões do cérebro pode explicar por que o exercício favorece a recordação. Os resultados fortalecem a ideia de que atividades físicas ajudam a proteger o cérebro contra o declínio cognitivo com a idade.
A pesquisadora Flaminia Ronca, da University College de Londres, complementa que a aptidão cardiovascular aumenta a produção de fatores neurotróficos, como o BDNF, que favorecem a formação de novas conexões neurais. O estudo reforça benefícios de longo prazo do exercício para a memória.
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