- A Dell mantém em Round Rock, no Texas, laboratórios para projetar e testar PCs e servidores, incluindo o datacenter Horizon, que custará US$ 457 milhões e terá 4 mil GPUs e 1 milhão de núcleos de CPU.
- No Rugged Lab, notebooks da linha robusta são derrubados por um braço robótico em séries de teste — cerca de 3 mil quedas para “quebrar” os designs.
- O laboratório de acústica usa câmaras semi-anecoicas; no centro de dados de teste, o ruído chega a 110 decibéis, enquanto, na câmara principal, o ambiente fica em 5 decibéis.
- A empresa entrou em pauta após rumores de aquisição pela Nvidia, que negou a compra, mas confirmou o desenvolvimento do chip N1 para laptops, com possível apresentação na Computex de junho.
- No último ano fiscal, a Dell teve faturamento de US$ 113,5 bilhões, alta de 19%; 45% vem de soluções ao cliente e o restante de infraestrutura, com impactos da escassez global de memórias RAM e SSDs apontados até 2027.
A Dell mantém um complexo tecnológico no Texas, com laboratórios que testam PCs, laptops e servidores. Em Round Rock, perto de Austin, o foco é simular condições extremas para avaliar durabilidade e desempenho sob ruído. A visita também destacou o papel da empresa no ecossistema de IA e computação de alto desempenho.
No Rugged Lab, um braço robótico derruba notebooks reforçados dezenas de milhares de vezes para observar resistência a quedas. Em cada ciclo, o equipamento é inspecionado; o objetivo é identificar falhas de design antes que cheguem ao mercado. O laboratório funciona com várias dinâmicas de teste, incluindo submersões e câmaras térmicas.
Já no setor de acústica, há quatro câmaras semi-anecoicas, com paredes revestidas de espuma e um nível de ruído residual de apenas 5 decibéis na câmara principal. Dentro do data center experimental, o ruído máximo observado em servidores pode chegar a 110 decibéis, similar a um show ao vivo, o que exige proteção auditiva para quem opera no espaço.
O projeto Horizon, novo supercomputador acadêmico, está previsto para ficar pronto ainda este ano e terá o apoio da Dell. Com cerca de 4 mil GPUs e 1 milhão de núcleos de CPU, deverá ser o maior da área acadêmica, suprindo de 10 a 15 mil pesquisadores por ano. O custo estimado é de US$ 457 milhões, seguindo o legado do Frontera, inaugurado em 2019.
A Dell divulgou resultados financeiros recentes com crescimento de faturamento, impulsionado pela demanda em soluções de infraestrutura para IA. Dados oficiais indicam US$ 113,5 bilhões de receita no último exercício, com metade proveniente de soluções ao cliente e o restante de infraestrutura. Executivos ressaltaram que a demanda por IA permanece elevada, sem sinais claros de arrefecimento.
Mesmo com o ritmo atual, especialistas questionam a sustentabilidade de investimentos em datacenters, dada a possível depreciação tecnológica. Analistas destacam a necessidade de equilibrar expansão com uso efetivo de equipamentos, já que o valor de revenda pode oscilar conforme a evolução tecnológica.
Em meio ao cenário de mercado, houve um episódio de volatilidade nas ações da Dell em 13 de abril, alimentado por rumores de possível aquisição de uma fabricante de PCs e servidores, envolvendo Nvidia. A empresa negou a aquisição, enquanto confirmou avanços no desenvolvimento do chip N1 para notebooks, considerado por analistas como potencial mudança de equilíbrio no setor.
A visita à sede inclui ainda demonstrações de notebooks da linha Alienware, adquirida pela Dell em 2006, e muestra de protótipos de máquinas prontas para lançamentos. O ambiente corporativo texano destaca a combinação entre pesquisa, desenvolvimento de hardware resistente e inovações em IA, em um cenário de alta volatilidade e investimentos contínuos.
O repórter acompanhou o tour a convite da Dell, que não divulga dados sensíveis durante visitas técnicas, mantendo o foco em informações institucionais e cronogramas de desenvolvimento.
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