- A NASA detectou sete compostos orgânicos em Marte pelo rover Curiosity, incluindo cinco que nunca tinham sido observados antes, a partir de amostras coletadas na Cratera Gale em 2020.
- A pesquisa, publicada na Nature Communications, aponta ainda uma molécula com estrutura similar aos precursores do DNA, sugerindo possíveis caminhos da química da vida.
- Os compostos podem ter se formado por processos não biológicos e poderiam ter se preservado por cerca de 3,5 bilhões de anos.
- Os resultados não comprovam vida antiga nem sua origem por meteoritos; para esclarecer, seria necessário levar amostras marcianas à Terra para análise.
O rover Curiosity, da Nasa, identificou sete compostos orgânicos em Marte, entre eles cinco pela primeira vez, durante análise de amostras coletadas em 2020 na Cratera Gale. A descoberta, publicada na revista Nature Communications, abre caminhos para entender a história química do planeta.
Os compostos são moléculas formadas principalmente por carbono e outros elementos, capazes de indicar processos biológicos ou não biológicos. Entre eles está um precursor do DNA, estrutura associada à informação genética em organismos vivos na Terra.
A coleta das amostras aconteceu na Cratera Gale, resultado de um impacto de meteoro. A área tem sido alvo das investigações do rover desde que aterrissou em 2012 para avaliar se Marte já ofereceu condições de vida microbiana.
Os cientistas ressaltam que a presença de matéria orgânica antiga pode sinalizar habitabilidade passada, mas não prova vida. Os compostos poderiam ter se originado por processos geológicos ou terem chegado ao planeta via meteoritos.
Uma molécula identificada é o benzotiofeno, um composto complexo que frequentemente chega a planetas por meio de meteoritos. A equipe estima que os materiais podem ter se preservado por cerca de 3,5 bilhões de anos, correspondente à idade da cratera.
Para confirmar se houve vida, seria necessário analisar amostras marcianas na Terra ou evidências mais diretas. A pesquisadora Amy Williams, da Universidade da Flórida, afirma que as descobertas demonstram a possibilidade de preservação de matéria orgânica antiga.
Os resultados fortalecem a hipótese de Marte ter sido um mundo habitável no período em que a vida na Terra surgiu. Ainda assim, não há evidência direta de vida marciana proveniente dessas moléculas.
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