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Principal produtor nacional de ostras prevê perda de 90% na temporada

Governo de Santa Catarina abre linha de crédito de R$ 40 milhões para ostricultura, diante de perdas de até 90% na safra de 2026

Com 8,7 mil toneladas por ano, SC domina 97% da produção nacional dos moluscos. (Foto: Julio Cavalheiro/Arquivo/Secom)
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  • Santa Catarina concentra praticamente toda a produção nacional de moluscos, respondendo por mais de 90% da atividade em cidades como Florianópolis, Palhoça, Bombinhas e Governador Celso Ramos.
  • Na temporada 2026, a estimativa é de perda de cerca de 72 milhões de ostras, impulsionada pelo aumento de temperatura; produtores passaram a comercializar ostras menores, chamadas de “refugo”.
  • O governo estadual abriu uma linha de crédito de R$ 40 milhões, com limite de até R$ 50 mil por produtor, sem juros e prazo de pagamento de cinco anos.
  • Pesquisadores estudam alternativas para reduzir vulnerabilidade, como carne de ostra cozida em períodos frios e linhagens mais resistentes ao calor.
  • Observação de ostras com coloração verde na região não representa risco sanitário; trata-se da proliferação de microalgas Haslea ostrearia, com potencial de valor nutricional e aplicações industriais.

O principal fabricante brasileiro de ostras enfrenta uma crise sem precedentes, impulsionada pelo calor do verão. Santa Catarina concentra quase toda a produção nacional, com Florianópolis, Palhoça, Bombinhas e Governador Celso Ramos respondendo por mais de 90% do total.

A temporada 2026 deve registrar perdas significativas. Estima-se uma redução de cerca de 72 milhões de ostras, o que impacta diretamente o abastecimento do mercado nacional. Em resposta, produtores passaram a comercializar ostras menores, fora do padrão tradicional, como medida emergencial.

O governo estadual anunciou uma linha de crédito de R$ 40 milhões, com limite de até R$ 50 mil por produtor, isenta de juros e com prazo de até cinco anos para pagamento. A iniciativa visa(até) mitigar os prejuízos da safra.

Pesquisadores da Epagri trabalham em alternativas para reduzir a vulnerabilidade do setor. Entre as propostas estão o desenvolvimento de carne de ostra cozida para colheita em períodos frios e o investimento em linhagens mais resistentes ao calor.

Especialistas destacam que, tradicionalmente, a ostra do Pacífico domina os cultivos catarinenses, adaptada a águas frias. No último verão, temperaturas do mar chegaram a picos de 34 °C entre janeiro e fevereiro, reduzindo a oxigenação da água e elevando a mortalidade.

A crise levou a discussões entre o Ministério da Pesca e Aquicultura, UFSC, Epagri e a Secretaria de Agricultura e Pesca sobre estratégias de adaptação. Dentre as propostas, está a criação de um grupo técnico para abrir um novo nicho de mercado: carne de ostra em períodos mais amenos.

Separadamente, houve registro de ostras com coloração esverdeada na baía sul de Florianópolis. A causa é a proliferação de microalgas do grupo diatomáceas, possivelmente Haslea ostrearia, associada a pigmento azul que confere tonalidade verde. Não há indicativo de toxinas, e o consumo continua seguro conforme análises iniciais.

Especialistas avaliam que o fenômeno pode trazer oportunidades, com potencial de valor agregado para ostras, vieiras e mexilhões. Pesquisadores buscam confirmar identificações moleculares e compreender condições ambientais que favoreceram o reaparecimento, para reproduzir o efeito em laboratório.

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