- Pesquisas indicam que doses diárias de aspirina podem reduzir o risco de câncer, especialmente em pessoas com síndrome de Lynch, que aumenta o risco de câncer colorretal.
- Em estudo com 861 pacientes, uma dose de 600 mg de aspirina por pelo menos dois anos reduziu pela metade o risco de câncer colorretal; resultados preliminares de segunda pesquisa sugerem que doses menores (75–100 mg) podem ter eficácia similar.
- Nick James foi a primeira pessoa a participar do estudo; ele já toma aspirina há cerca de dez anos sem sinais de câncer.
- O Reino Unido e outros países já ajustaram diretrizes para usar aspirina como proteção adicional em indivíduos de alto risco, sempre com supervisão médica; na Suécia, pacientes com câncer colorretal passaram a ser avaliados para mutações específicas e receberem baixa dose de aspirina quando positivas.
- Mecanismos propostos incluem inibição da enzima Cox-2 e possível melhoria da visibilidade de células cancerígenas pelo sistema imune, ainda em estudo para confirmar efeitos em humanos.
Dizem que a aspirina, remédio antigo, pode atuar na prevenção de câncer. Um estudo clínico britânico envolvendo pacientes com síndrome de Lynch aponta que doses diárias da droga podem reduzir o risco de câncer colorretal. O pesquisador líder é o professor John Burn, da Universidade de Newcastle.
O estudo acompanhou 861 voluntários ao longo de 10 anos. Um grupo recebeu 600 mg diários de aspirina por pelo menos dois anos e mostrou redução de até 50% no desenvolvimento de câncer colorretal. O resultado é considerado significativo pela equipe.
Numa segunda frente, pesquisas em andamento sugerem que doses menores também funcionam. Um segundo estudo, ainda em revisão, indica que 75-100 mg diários podem ter eficácia similar ou superior. O primeiro paciente a participar do estudo, Nick James, continua sem sinais da doença.
O histórico da aspirina na medicina mostra usos que vão além da dor. A droga foi associada à redução de coágulos sanguíneos, o que levou a diretrizes de prevenção de eventos cardiovasculares, como o uso em pessoas com alto risco de AVC.
Entretanto, especialistas destacam que nem todos os tumores respondem de modo igual. Em alguns cenários, ainda não há evidência suficiente para indicar o uso generalizado da aspirina como prevenção de câncer. O acompanhamento médico é indispensável.
O grupo liderado por Ruth Langley, da University College de Londres, conduz estudos amplos para avaliar efeitos em câncer colorretal, mama, gástrico e próstata no Reino Unido, Irlanda e Índia. Os resultados devem ficar prontos no próximo ano.
Diversos projetos investigam mecanismos potenciais. Entre eles, a inibição da enzima Cox-2 e a possibilidade de tornar células tumorais mais visíveis ao sistema imune. Pesquisas em camundongos sugerem caminhos, mas ainda não há confirmação em humanos.
Os especialistas ressaltam que a aspirina pode causar efeitos adversos, como desconforto gastrointestinal, sangramentos e ulcerações. Por isso, a avaliação individual e a supervisão médica são cruciais para decisões de uso.
Autora de diretrizes e pesquisadora associada comenta que alterar políticas públicas exige replicação de resultados em vários grupos. Enquanto isso, alguns países já adotam recomendações específicas para indivíduos com maior risco genético ou histórico de câncer colorretal.
Em resumo, há evidências promissoras de que aspirina pode atuar na prevenção de câncer em grupos específicos, especialmente com síndrome de Lynch. Novos dados devem esclarecer se o benefício se estende a outros tipos de câncer e a diferentes doses.
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