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Canteiros de flores ao lado de lavouras: prática europeia para o agro brasileiro

Canteiros de flores e cercas vivas podem ampliar a polinização entre polinizadores e lavouras, desde que bem manejados; caso contrário, podem atuar como barreiras

Canteiros de flores e cercas vivas delimitando plantações são refúgios para polinizadores.
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  • Cerca de setenta e cinco por cento das culturas dependem de polinizadores para produzir frutos e sementes, e canteiros de flores ou cercas vivas ajudam nesse processo.
  • No Brasil, plantações florais costumam ficar perto de casas ou apenas no portão, não delimitando as lavouras.
  • Pesquisadores da Universidade de São Paulo analisaram milhares de estudos para entender como as plantações florais afetam o movimento de abelhas entre florais e lavouras.
  • Identificaram que o efeito depende de fatores como espécies de flores, tipo de lavoura, espécies de abelhas e condições ambientais, propondo uma hipótese integradora em que os padrões exportador e concentrador ocorrem em estágios sequenciais.
  • Concluem que, bem manejadas, plantações florais podem conciliar conservação da biodiversidade com produção de alimentos; recomendam testar no Brasil, considerando a biodiversidade local.

Canteiros de flores e cercas vivas ao redor de lavouras são prática comum na Europa e vêm ganhando espaço no debate agrícola brasileiro. Estima-se que cerca de 75% das culturas dependam de polinização animal para a produção de frutos e sementes.

No Brasil, esses canteiros costumam ficar perto de casas ou entradas, sem delimitar as lavouras. Além da estética, funcionam como refúgios para abelhas, vespas, borboletas e outros polinizadores, que também ajudam a aumentar a produtividade das lavouras.

Um estudo recente, desenvolvido com a participação de Isabel Santos e Michael Hrncir, da USP, analisou milhares de pesquisas globais sobre o tema. O objetivo é entender quando as plantações florais ajudam ou atrapalham a polinização das lavouras.

Nova hipótese sobre o movimento de polinizadores

Os pesquisadores apresentaram uma hipótese integradora para explicar os efeitos conflitantes. A ideia é que exportação e concentração não são mutuamente excludentes, mas etapas sequenciais de um mesmo fenômeno.

Segundo a proposta, abelhas são inicialmente atraídas para as plantações florais (fase concentradora). Quando a lavoura entra em floração e se torna mais atrativa, as abelhas migram para ela (fase exportadora).

Essa leitura sugere que o manejo de paisagens agrícolas pode ser ajustado conforme o tipo de lavoura e as espécies de flores. O objetivo é otimizar a transferência de polinização entre as plantações florais e as lavouras.

Implicações do estudo

A partir do ponto de virada entre as fases, pesquisadores buscam definir quais espécies de flores usar em cada cultivo e em que intensidade. A ideia é compatibilizar conservação da biodiversidade e produtividade agrícola.

Se bem aplicadas, as plantações florais podem fortalecer a polinização das lavouras, contribuindo para a produção de frutas, café, chocolate e outros alimentos. A prática pode unir conservação e renda agrícola.

Desafios e cenários no Brasil

No Brasil, o uso estratégico de plantações florais ainda é pouco explorado. A biodiversidade de flores nativas oferece potencial para adaptar a prática às necessidades locais e aos diferentes tipos de lavouras.

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