- Goiânia começou a operar oito ônibus articulados movidos a biometano no fim de março, para o BRT Leste-Oeste, com autonomia de cerca de quatrocentos quilômetros, 19,22 metros de comprimento e capacidade para 145 passageiros.
- Os veículos têm chassi Scania e carroceria Marcopolo, com cilindros de fibra de carbono no teto para o gás; o abastecimento inicial será por biometano comprimido, com usina prevista em Guapó (GO em dois anos).
- O programa prevê a inclusão de quinhentos e um ônibus movidos a biometano até o fim de 2027, mirando reduzir até noventa e cinco por cento das emissões poluentes.
- Especialistas destacam que a descarbonização deve ser pragmática, combinando biometano e eletrificação, sem depender de uma única tecnologia ou ruptura de infraestrutura.
- Em São Paulo, a eletrificação predomina, com mais de mil ônibus elétricos; há metas para substituir dois mil e duzentos veículos por modos de energia limpa até o fim da gestão, com o Bio SP incentivando o uso do biometano.
O Brasil busca reduzir as emissões do transporte público sem abrir mão da viabilidade econômica. Em meio a desafios de descarbonização, governos e setor privado consideram o biometano como complemento à eletrificação. Dados do setor apontam que a frota urbana é composta por 107 mil ônibus, com idade média de 6,4 anos.
O Plano Clima, do Ministério do Meio Ambiente, projeta que até 2035 pelo menos 35% da frota use energias renováveis, equivalentes a cerca de 37 mil ônibus. A prioridade é ampliar opções com menor custo e maior aderência à realidade das cidades.
Biometano no transporte público
Algumas cidades buscam alternativas ao diesel sem abandonar a eletrificação. O biometano, obtido pela purificação do biogás de resíduos, esgoto e agroindústria, surge como solução prática para reduzir emissões já hoje, mantendo a infraestrutura existente.
Edmundo Pinheiro, presidente da NTU, afirma que as cidades não devem escolher entre eletrificação ou biometano, mas combinar soluções conforme a realidade local. Nesta visão, Goiânia avançou com a integração de biometano à frota.
Ônibus articulados movidos a biometano
No final de março, Goiânia iniciou operação com oito ônibus articulados movidos a biometano no BRT Leste-Oeste, o principal corredor da região metropolitana. O sistema tem 68,6 km e atende mais de 3,6 milhões de passageiros por mês.
Os veículos possuem chassi Scania e carroceria Marcopolo, com cilindros de gás em fibra de carbono instalados no teto. O motor aceita biometano ou gás natural, e a autonomia fica em cerca de 400 km. Cada ônibus mede 19,22 metros e comporta 145 passageiros.
Laércio Ávila, do Consórcio BRT, afirma que o grupo pretende chegar a 501 ônibus movidos a biometano até o fim de 2027, com meta de reduzir 95% das emissões poluentes. O abastecimento inicial ocorre por carretas de biometano comprimido; em dois anos, será construída uma usina em Guapó (GO).
Além dos ônibus a biometano, a região metropolitana de Goiânia já opera com 48 ônibus elétricos. A iniciativa é vista como etapa de uma transição pragmática para descarbonizar o transporte público sem rupturas de infraestrutura.
Descarbonização pragmática e segurança de abastecimento
Especialistas avaliam que a experiência de Goiânia mostra que a descarbonização no Brasil deve ser pragmática. O biometano é apresentado como solução disponível e com menor custo de transição, alinhada à produção de energia a partir de resíduos.
Tiago Santovito, da ABiogás, explica que o biometano pode ser levado aos pontos de abastecimento por rodovias ou por dutos, com enchimento de tanque semelhante ao do diesel e sem interrupção na operação diária.
Planejamento e cenário nacional
Em São Paulo, a eletrificação predomina, com 1.259 ônibus elétricos em operação, metade movida a bateria e trólebus. A prefeitura planeja substituir 2.200 ônibus até o final da gestão, e o Bio SP orienta a incorporação gradual de biometano na frota.
Especialistas ressaltam que a transição energética exige múltiplas rotas tecnológicas. A experiência de diferentes cidades fornece lições sobre implementação de infraestrutura de recarga, abastecimento e integração de tecnologias. A discussão permanece aberta, com projetos piloto em andamento em Londrina, Suzano, Rio de Janeiro e Curitiba.
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