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Governo compra quimioterápico emergencial para evitar falhas no tratamento

Governo adquire emergencialmente ciclofosfamida para evitar colapso em tratamentos de câncer; primeiras 7 mil ampolas chegam e começam a ser distribuídas nos CACons e Unacons

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  • O governo comprou emergencialmente 100 mil comprimidos e 40 mil ampolas de ciclofosfamida para evitar colapso no tratamento de câncer; o primeiro lote chegou no dia 22 e a distribuição deve começar nos próximos dias.
  • A Baxter é a única fabricante com registro na Anvisa para ciclofosfamida; a empresa disse que o fabricante contratado sofreu interrupção técnica, reduzindo a produção.
  • A primeira remessa de 7 mil ampolas já chegou e será destinada a centros de assistência oncológica credenciados pelo SUS, com o Instituto Nacional de Câncer recebendo as primeiras doses.
  • A compra centralizada visou facilitar aquisição internacional e ampliar o número de fornecedores, após consulta aos estados para definir o volume emergencial.
  • Entidades médicas alertam que o desabastecimento vai além da ciclofosfamida, com outros medicamentos antigos também enfrentando interrupções; há lista de itens considerados críticos e discussão sobre produção pública.

O Ministério da Saúde comprou 100 mil comprimidos e 40 mil ampolas de ciclofosfamida em caráter emergencial para evitar o colapso de tratamentos de câncer no país. A medida ocorre diante de alerta da sociedade médica sobre a escassez do medicamento.

O primeiro lote chegou ao Brasil na última quarta-feira e será distribuído aos estados nos próximos dias. A compra centralizada visa enfrentar a descontinuidade de fornecimentos em meio a falhas na produção de um fabricante contratado pela Baxter, atual detentora do registro na Anvisa.

A Baxter informou que a produção foi retomada, mas com capacidade reduzida, o que não atende à demanda. A empresa afirmou trabalhar com urgência para restabelecer o fornecimento o mais rápido possível.

Distribuição e impactos imediatos

A aquisição é suficiente para atender a demanda até julho, quando a produção deve se normalizar. Os 7 mil comprimidos já chegaram e devem ser encaminhados a Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia e Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia do SUS.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) recebeu a primeira remessa, que custou cerca de 1 milhão de reais. A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde explicou que a compra foi centralizada para facilitar negociações internacionais e, assim, ampliar o leque de fornecedores.

Contexto da disponibilidade

A ciclofosfamida é usada em terapias de câncer e em transplantes de medula, além de tratar síndromes autoimunes. A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e a Sboc destacam que a indisponibilidade pode comprometer tratamentos e orientar protocolos de substituição.

Além da ciclofosfamida, há relatos de intermitência no fornecimento de outros medicamentos oncológicos, o que motivou a Sboc a divulgar um protocolo de atuação em caso de falta de estoque e a pleitear investimentos na produção nacional de substâncias estratégicas.

Perspectivas e próximos passos

Para ampliar o abastecimento, o Ministério acionou a Organização Pan-Americana de Saúde para cotação internacional junto a fabricantes com registro em agências regulatórias internacionais. A pasta também busca ampliar o registro de novas fornecedoras pela Anvisa.

Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, explicou que a compra centralizada facilita aquisições internacionais diante de restrições de disponibilidade. A possibilidade de produção pública de novos fármacos envolve avaliação complexa e depende de demanda e capacidades industriais.

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