- Um estudo prevê que, sob cenários de emissões moderadas, a área global queimada pode subir 9,3% até 2100, aumentando o risco para espécies ameaçadas por fogo.
- Aproximadamente 84% das espécies ameaçadas por incêndio estariam expostas a maior risco de queimadas no futuro.
- Regiões como América do Sul e Oceania devem enfrentar riscos de fogo significativamente maiores, com altas temperaturas também elevando incêndios em áreas de altas latitudes do hemisfério norte.
- As 96 espécies mais impactadas (top 1%) estão na América do Sul, Sul da Ásia, sul da Austrália e Nova Zelândia, muitas com pequenas áreas de ocorrência e já em risco de extinção.
- Em algumas regiões, como África Central, a área queimada poderia diminuir, mas ações coletivas ainda são cruciais para reduzir impactos.
O aquecimento global pode ampliar globalmente a área sujeita a incêndios florestais, elevando o risco para inúmeras espécies. A projeção é baseada em quatro cenários de emissões de gases do efeito estufa e avalia impactos para 9.592 espécies atualmente listadas pela IUCN como ameaçadas por fogo.
Os pesquisadores analisaram como a duração das temporadas de incêndio e a área queimada podem mudar até 2100 sob diferentes cenários. No cenário de emissões moderadas, a área global queimada poderia crescer 9,3% até o fim do século, elevando o risco para a maioria das espécies vulneráveis.
Segundo Xiaoye Yang, pesquisador da Universidade de Gotemburgo e autor principal, há desigualdades espaciais no risco futuro de incêndios. Regiões da América do Sul e da Oceania devem enfrentar aumentos expressivos, enquanto áreas de altas latitudes no hemisfério norte devem ver fogo mais frequente no futuro, mesmo que historicamente tenha sido raro nessas regiões.
Região e espécies mais afetadas
Os dados indicam que 1% das espécies mais impactadas (96 ao todo) estão na América do Sul, no Sul da Ásia, no sul da Austrália e na Nova Zelândia. Entre elas estão o sapinho da Maud Island, Leiopelma pakeka, e o pássaro North Island saddleback, Philesturnus rufusater, ambos da Nova Zelândia, que possuem áreas geográficas muito restritas e já enfrentam risco de extinção.
Atrasos na experiência adaptativa com fogo em áreas recém-afetadas pode tornar várias espécies ainda mais vulneráveis a novos regimes de incêndio, segundo a equipe de pesquisa. Em contrapartida, regiões como a África Central podem registrar redução na área queimada.
Implicações e contexto
Apesar do aumento global, o efeito varia por região, levando alguns países com maiores emissões a sofrer impactos desproporcionais diferentes. A pesquisadora Yang destaca que a ação coletiva continua crucial para mitigar riscos.
Carla Staver, professora da Princeton, ressalta que incêndios não são universalmente prejudiciais a ecossistemas: alguns sistemas, como as savanas, dependem do fogo. Ela aponta que reduzir o fogo em áreas onde ele é parte do equilíbrio pode não representar notícia boa para a biodiversidade local.
A pesquisa apresentada reforça a necessidade de estratégias regionais de conservação que considerem padrões futuros de fogo, bem como a importância de monitoramento de espécies vulneráveis em relação a cenários climáticos.
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