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Itens de ouro encontrados em naufrágio do século XVIII revelam riqueza histórica

Estudo de ouro do naufrágio Whydah Gally mostra que o metal Akan tem composição natural, refutando relatos de adulteração por comerciantes africanos

Ornamento de leão dourado criado por um artista do povo Akan, da África Ocidental — Foto: Museu Metropolitano de Arte
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  • Em 23 de março, estudo publicado na Heritage Science analisa artefatos do naufrágio do Whydah Gally, afundado em 1717 na costa de Massachusetts.
  • Foram analisadas 27 amostras de ouro, com teor entre 73,5% e 96,7%, sugerindo composição compatível com o ouro originário do cinturão aurífero Ashanti.
  • Mais de trezentas peças de ouro estão associadas ao povo Akan, uma das principais redes comerciais da Costa do Ouro.
  • As técnicas usadas foram fluorescência de raios‑X e microscopia eletrônica; houve contaminação por concreções, mas áreas menos afetadas ajudam a estimar a composição original.
  • O estudo não encontra evidências de adulteração deliberada em larga escala e amplia o entendimento sobre o comércio africano no século XVIII, deixando espaço para novas pesquisas.

O estudo publicado em Heritage Science, em 23 de março, reavalia o naufrágio do Whydah Gally, afundado em 1717 na costa de Massachusetts, EUA. A embarcação, liderada pelo pirata Samuel Bellamy, carregava metais preciosos e mercadorias que testemunham o comércio atlântico. A nova análise questiona uma narrativa europeia antiga sobre fraude em ouro africano.

Ainda sob o mar, mais de 200 mil artefatos foram recuperados, incluindo cerca de 300 peças de ouro associadas ao povo Akan, da África Ocidental. Ao longo de séculos, registros europeus acusaram comerciantes africanos de adulterar o metal com cobre, prata ou areia para inflar o peso.

Metodologia e resultados

Os pesquisadores analisaram 27 amostras de ouro com fluorescência de raios-X e microscopia eletrônica. Em comum, os objetos apresentam entre 73,5% e 96,7% de ouro, variação compatível com depósitos naturais da região do Cinturão Aurífero Ashanti.

O estudo destaca ainda que, após séculos submersos, as peças sofreram contaminação por concreções metálicas. Mesmo assim, áreas menos afetadas oferecem a melhor aproximação da composição original do ouro.

Implicações históricas

Os dados contrariam relatos coloniais que apontavam adulteração deliberada por comerciantes Akan. A pesquisa sugere que o metal comercializado manteve características geológicas naturais, sem evidências de fraude disseminada.

O trabalho amplia o entendimento sobre o século XVIII, incluindo a ascensão do Reino Ashanti e o fortalecimento da classe mercantil africana. Também indica novas possibilidades de ligações com mercados, como o da América do Sul, para futuras análises.

Os autores ressaltam que a investigação não encerra o debate. Técnicas mais precisas poderão esclarecer a origem exata das peças e ampliar o conhecimento sobre o comércio de metais preciosos da época. O conjunto analisado representa o maior acervo de ouro Akan com contexto arqueológico bem datado.

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