- Em uma série de mortes de cientistas chineses ligados a áreas estratégicas como inteligência artificial, defesa aérea e hipersônicos, levantam dúvidas sobre segurança e rivalidade global.
- Um caso emblemático é o do pesquisador Feng Yanghe, 38 anos, que morreu em julho de 2023, após um acidente de carro em Pequim, com obituário oficial descrevendo-o como “sacrificado” durante o cumprimento de suas funções.
- A lista abrangente inclui ao menos nove casos semelhantes, com vítimas entre 26 e 68 anos, em circunstâncias que vão de acidentes a causas não divulgadas.
- Outros nomes citados envolvem especialistas em meteorologia espacial, microeletrônica militar, química e áreas como drones, segurança de dados e biotecnologia.
- Embora haja especulações sobre impactos da competição tecnológico-militar, não há evidências de uma campanha coordenada; autoridades e especialistas apontam que muitos casos podem ter causas naturais ou acidentes, e as investigações ainda não foram concluídas.
Uma onda de mortes de pesquisadores na China tem mobilizado analistas e veículos de imprensa, com foco em profissionais ligados a áreas sensíveis como inteligência artificial militar, armas hipersônicas e defesa espacial. Os casos, registrados nos últimos anos, vão de acidentes de trânsito a causas não divulgadas.
Especialistas apontam que as circunstâncias variam bastante, mas muitas situações permanecem sem explicação pública. O tema ganha contorno em meio à competição tecnológica global e à preocupação com a segurança de talentos estratégicos.
Entre os casos mais discutidos está o de Feng Yanghe, 38 anos, professor da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa. Em julho de 2023, ele morreu em Pequim após um acidente noturno de carro, segundo relatos oficiais.
China: mortes de pesquisadores
Feng era reconhecido em IA aplicada à defesa e atuava em simulações de conflito, incluindo cenários envolvendo Taiwan. Alguns obituários oficiais o mencionaram como alguém que teria sido sacrificado no cumprimento de suas funções, o que gerou questionamento entre especialistas.
Segundo reportagens, o conjunto de episódios envolve ao menos nove casos de profissionais de alta qualificação em setores estratégicos. Vítimas têm idades entre 26 e 68 anos, com causas atribuídas a acidentes ou doenças, sem detalhes públicos.
Entre as referências, Zhang Xiaoxin, meteorologista espacial, faleceu em 2024 após acidente de trânsito. Chen Shuming, na microeletrônica militar, morreu em 2018 em circunstâncias similares. Zhou Guangyuan, da Academia Chinesa de Ciências, teve a morte divulgada sem causa.
Casos também envolvem áreas como hipersônicos, drones, segurança de dados e biotecnologia. Em alguns casos, as mortes foram associadas a episódios médicos inesperados ou doenças, sem esclarecimentos adicionais.
Analistas ressaltam que a concentração de ocorrências em setores estratégicos pode indicar uma tendência ou simples coincidência. Um pesquisador de um centro ocidental afirma que IA militar e sistemas hipersônicos moldam o equilíbrio de poder global.
EUA: paralelos e investigações
Paralelamente, os Estados Unidos registram casos semelhantes, com pelo menos 11 cientistas desaparecidos ou mortos em circunstâncias incomuns. Autoridades norte-americanas investigam ligações entre os casos, sem confirmação de relação entre eles.
A Casa Branca acompanha as investigações e reforça a transparência dos procedimentos, sem comentar diretamente o caso chinês. O governo chinês afirmou não ter informações específicas sobre os episódios, destacando o compromisso com a cooperação internacional.
O cenário se insere numa disputa global por liderança tecnológica entre China, EUA e Rússia. Pesquisas em IA, defesa espacial e armamentos avançados recebem investimento crescente, elevando a vigilância sobre pesquisadores nesses campos.
Especialistas destacam, contudo, que não há evidências de uma campanha coordenada contra cientistas. Muitos casos podem representar acidentes ou causas naturais, com lacunas de divulgação ainda maiores.
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