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Nepal planeja parque para tigres problemáticos diante de ataques

Nepal propõe parque de 50 hectares para tigres que atacaram humanos, financiado pelo turismo, mas permanecem dúvidas sobre viabilidade e manejo

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  • Nepal planeja um parque de cinquenta hectares para tigers problemáticos, próximos aos conflitos com humanos, na floresta Durganar–Tikauli, perto do Parque Nacional Chitwan.
  • O parque poderia abrigar tigers que atacaram pessoas, em habitat cercado, oferecendo espaço externo e visão para turistas, com a receita cobrir custos de alimentação e cuidados veterinários.
  • O país registrou trezentos e cinquenta e cinco tigers em 2022, com crescimento em habitats como Chitwan, Bardiya e Shuklaphanta; ataques a pessoas continuam sendo um ponto sensível.
  • Entre 2019 e 2023 houve trinta e oito mortes por ataques de tigers, e entre mid‑julho de 2023 e mid‑julho de 2024 ocorreram seis mortes e oito feridos, com quinze tigers capturados para centros de retenção.
  • Críticos questionam a viabilidade econômica e ecológica do parque, destacando riscos de salvação de custos, doenças e a falta de modelos comprovados para manejo de populações semi‑cativas em larga escala.

Um盘 Nepal propõe a criação de um parque para tigres considerados problemáticos, nessa tentativa de alinhar conservação com convívio humano. O parque seria de 50 hectares, situado no entanto florestal entre Durganar e Tikauli, próximo ao Chitwan National Park, para abrigar tigers que atacaram pessoas.

A ideia foi apresentada pelo governo nepales, com a participação da equipe da Department of National Parks and Wildlife Conservation. O foco é tirar os felinos de centros de contenção superlotados e oferecer um habitat ao ar livre, com espaço para se esconder na grama alta.

Segundo Hari Bhadra Acharya, ecólogo sênior que lidera o comitê, o custo estimado de manutenção de um tigre cativo é alto, em torno de 1,5 milhão de rúpias por ano. A nova estrutura permitiria que tigers sejam exibidos para visitantes, gerando receita para alimentação e cuidado veterinário.

Detalhes do formato e objetivo

O parque planejado prevê um habitat cercado, com tigers que já atacaram humanos recebendo monitoramento especializado. A receita de ingressos seria destinada a financiar a alimentação e a assistência médica dos animais.

Nepal registrou 355 tigres em 2022, expansão de uma população que havia sido de 121 em 2009. Os principais hotspots continuam a ser Chitwan, Bardiya e Shuklaphanta, embora avistamentos tenham ocorrido em áreas mais altas e a leste do rio Kosi.

Desafios e evidências científicas

Estudos indicam que a maioria dos tigers não está envolvida em conflitos com humanos. Pesquisas de Lamichhane apontam que menos de 5% dos felinos identificados em armadilhas estão ligados a ataques, sugerindo que conflitos são causados por uma parcela específica da população.

Outra pesquisa liderada por Acharya aponta que tigres em Chitwan consomem principalmente presas silvestres, sem evidência de predação sobre gado local. Ainda assim, incidentes ocorrem, embora envolvendo números baixos.

Diversas estratégias são discutidas para reduzir conflitos, como melhor manejo do gado, compensação a vítimas e educação comunitária. O plano também prevê unidades de resposta rápida e planos específicos por local, com base em dados científicos.

Preocupações sobre o modelo proposto

Críticos questionam se o cerco e a autossustentação via turismo são viáveis a longo prazo. Há temores de que o parque se torne um elefante branco com receitas instáveis e custos não cobertos.

Especialistas também destacam o risco de disseminação de doenças em ambientes semi-captivos. Em casos recentes, parques de tigres em outros países enfrentaram surtos quando visitantes interagiram com os animais.

Alternativas e cenários

Alguns defendem caminhos adicionais, como manejo mais direto de animais de alto risco, com possível controle populacional e ações de proteção de aldeias. Outros propõem ampliar a cooperação internacional para fortalecer programas de conservação sem recorrer a cercas extensivas.

A discussão amplia-se com a possibilidade de novos modelos de manejo que equilibrem bem-estar animal, segurança pública e viáveis mecanismos de financiamento, sem depender exclusivamente de turismo.

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