- Um estudo com 16 pacientes com epilepsia mostrou que cerca de 40% dos neurônios ativados ao ver um objeto se reativam na hora de imaginá-lo.
- Pesquisadores monitoraram mais de 700 neurônios no córtex temporal ventral, área ligada ao reconhecimento de objetos, faces e palavras, em condições de visão e de imaginação.
- Usando redes neurais, os cientistas conseguiram decodificar a interpretação cerebral e reconstruir objetos a partir da atividade neural durante a visão.
- O estudo sugere que percepção e imaginação compartilham redes neuronais e pode abrir caminhos para entender memória, reduzir deterioração associada a doenças como o Alzheimer, melhorar tratamentos de esquizofrenia e desenvolver próteses visuais.
- Os resultados destacam que os pacientes tinham imaginação visual vívida; o próximo passo é identificar o gatilho que faz os neurônios reativarem e como outras regiões cerebrais influenciam esse processo.
O que aconteceu: pesquisadores da Caltech monitoraram neurônios em pacientes com epilepsia para entender como o cérebro processa objetos vistos e imaginados. O estudo, publicado na revista Science, mostrou que cerca de 40% dos neurônios ativados ao ver um objeto voltam a disparar quando o objeto é reconstruído pela imaginação.
Quem está envolvido: a equipe envolveu 16 pacientes hospitalizados com epilepsia, com eletrodos conectados ao cérebro para mapeamento de atividade. Ao todo, os pesquisadores acompanharam mais de 700 neurônios na região do córtex temporal ventral, relacionada ao reconhecimento de objetos, faces e palavras.
Quando e onde: as pesquisas abriram espaço para a primeira evidência de sobreposição entre percepção e imaginação em neurônios individuais. A investigação ocorreu no laboratório da Caltech, com dados publicados em abril na revista Science.
Como foi feito: os pacientes foram expostos a centenas de imagens, enquanto a atividade neural era registrada para entender o código de interpretação visual. Em etapa seguinte, pediram que fechassem os olhos e imaginassem as mesmas imagens, acompanhando a reativação neural.
Por que importa: os achados sugerem que memória, percepção e imaginação compartilham vias neuronais, abrindo caminhos para decodificar como a memória funciona e para desenvolver modelos de visão artificial e próteses que auxiliem pessoas com deficiência.
Aplicações e próximos passos
A partir dos resultados, os autores destacam avanços potenciais na compreensão de doenças como Alzheimer e esquizofrenia, além de apoiar o desenvolvimento de interfaces cérebro-computador e simulações visuais.
Detalhes adicionais
Os pesquisadores planejam identificar o sinal que dispara a reativação neural e entender como outras regiões cerebrais influenciam esse processo, ampliando o panorama sobre a ligação entre visão e imaginação.
Observação sobre afantasia
O estudo também aponta que todos os participantes apresentaram alta vivacidade visual, não incluindo casos de afantasia, condição que dificulta a imaginação visual.
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