- Entre os rios xingu e iriri, a iniciativa Terra do Meio restaurou 50 hectares com cerca de 175 mil árvores nativas, com expectativa de cobertura total em dez anos.
- O projeto é conduzido pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Instituto Socioambiental (ISA), integrando conservação ambiental, desenvolvimento local e proteção dos recursos hídricos; pode ser replicado na região.
- A atuação funciona pela Rede Terra do Meio, com coleta de sementes por famílias (312 participantes, mais da metade mulheres) e uso da técnica da muçuca para acelerar a recomposição da mata.
- A cadeia produtiva movimentou cerca de R$ 300 mil nos últimos anos, com 6 mil quilos de sementes comercializados em 2025, vendidas sem intermediários.
- Exemplos de impacto: moradores como Marinalva Ribeiro da Silva passaram a ter renda adicional com a coleta, mantendo-se no território e equilibrando família e trabalho.
Na Amazônia brasileira, entre os rios Xingu e Iriri, o projeto Terra do Meio avança na restauração de áreas degradadas ocupadas ilegalmente. A iniciativa envolve a OTCA, o Projeto Bacia Amazônica, a ANA e o ISA, com foco na conservação ambiental, desenvolvimento local e proteção dos recursos hídricos.
Até agora, 50 hectares já receberam restauração por meio do plantio de cerca de 175 mil árvores nativas. A expectativa é que, em dez anos, a cobertura florestal esteja plenamente estabelecida no local, contribuindo para a gestão integrada dos recursos hídricos na bacia amazônica, presente em oito países membros.
A atuação começou há três anos, iniciando com 25 hectares na Reserva Extrativista do Rio Xingu, perto do leito do rio. Ao todo, 25 moradores participaram do plantio, coletando mais de 30 variedades de sementes de árvores nativas para formar a chamada muvuça, misturando espécies de ciclos diferentes para enriquecer o solo.
Cadeia de produção e impacto social
A iniciativa movimenta a economia local por meio da Rede Terra do Meio, que reúne produção, beneficiamento e venda sem intermediários. A demanda anual é definida com compradores, e as famílias organizam a coleta conforme o ciclo de cada espécie. Hoje, 312 pessoas integram a cadeia, com mais da metade sendo mulheres.
A atividade gera renda para famílias que também atuam na pesca e em outras atividades. Moradores relatam ganhos diretos com a coleta de sementes, que passam por centros comunitários onde são pesadas, organizadas e vendidas, com pagamento direto aos produtores.
O casal Sinha Kuruaya e Alcione Freitas, da comunidade Morro Grande, teve ganhos significativos com a venda de sementes em 2025, totalizando cerca de 6 mil reais. O manejo busca manter a floresta preservada ao mesmo tempo em que oferece oportunidades de subsistência.
Resultados e alcance
Com aportes do Projeto Bacia Amazônica e parceiros, a cadeia de produção movimentou aproximadamente 300 mil reais nos últimos anos. Em 2025, a rede atingiu a marca de 6 mil quilos de sementes comercializadas para restauração na Amazônia, fortalecendo a sustentabilidade do projeto sem intermediários.
O presidente da Rede Terra do Meio, morador da Reserva Extrativista do Rio Iriri, enfatiza que a iniciativa protege a floresta, gera renda e permite que as comunidades permaneçam no território, contribuindo para o equilíbrio ecológico e a continuidade de seus modos de vida.
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