- Yuvelis Morales, 25 anos, descendente de pescadores, ganhou o Prêmio Ambiental Goldman e afirma que é o início do fim dos combustíveis fósseis na Colômbia.
- Ela liderou ações que resultaram na suspensão de projetos-piloto de fracking da Ecopetrol e da ExxonMobil às margens do rio Magdalena, em Puerto Wilches.
- Morales recebeu ameaças e precisou se exilar na França em 2022; a Colômbia é considerada o país mais perigoso para defensores ambientais, com quase 150 ativistas mortos em 2024.
- O presidente Gustavo Petro suspendeu contratos de fracking e propôs uma proibição, ainda com dificuldades de financiamento para a transição energética.
- A ativista diz que continuará defendendo o Magdalena e que o reconhecimento, junto com a cúpula mundial para abandonar combustíveis fósseis, representa o início de mudanças no país.
Yuvelis Morales, 25, ativista ambientalista colombiana descendente de pescadores, recebeu o Prêmio Goldman Environmental para reconhecer sua atuação na defesa do rio Magdalena. A militante coordenou ações para impedir projetos de fracking às margens do principal curso d água do país, em Puerto Wilches, Santander. O movimento ganhou força com protestos, educação ambiental e ações judiciais que levaram à suspensão de pilotos de fracking.
A atuação de Morales ocorreu em meio a ameaças recebidas pela defesa ambiental. Em 2022, ela precisou buscar exílio na França após intimidações vindas de grupos ligados a atividades de extração. Mesmo longe de casa, seguiu contribuindo com denúncias e pressão internacional para frear os projetos.
A demarcação de limites para a exploração de hidrocarbonetos no Magdalena teve início após a atuação da ativista. A petroleira Ecopetrol e a americana ExxonMobil tiveram projetos suspensos, sob contestação de impactos à água e ao ecossistema local. A Colômbia iniciou passos para uma transição energética, com o governo Petro atravessando resistência política e econômica.
Com o reconhecimento, Morales aposta que se inicia uma etapa de redução gradual dos combustíveis fósseis no país. Em Santa Marta, a Colômbia sediará uma cúpula global sobre a antecipação do abandono dos combustíveis fósseis, ampliando o debate sobre políticas energéticas e proteção de ecossistemas.
Na Colômbia, a violência contra defensores ambientais é uma preocupação recorrente. Segundo a ONG Global Witness, quase 150 defensores foram assassinados em 2024, o maior número registrado globalmente. Morales descreve o temor como parte da realidade de quem protege territórios frente a interesses econômicos.
O rio Magdalena, com cerca de 1.540 km, é central para a vida econômica e social da região. Morales afirma que a proteção desse habitat é essencial para preservar comunidades locais, agricultura e biodiversidade, mantendo o território como prioridade.
A vencedora do Goldman destaca que a luta continua. Ela afirma que o desafio é manter ações de denúncia para pressionar autoridades e empresas a evitar impactos ambientais, buscando uma transição energética justa sem abrir mão de direitos territoriais.
Entre na conversa da comunidade