- Bioinsumos ganham espaço no Brasil, com uso em propriedades de produtores como Ricardo Gontijo Eleoterio, chegando a até setenta por cento dos insumos em algumas etapas, e queda de custo, como o tratamento da soqueira da cana, de R$ 250 para R$ 60 por hectare.
- A 31ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto, de 27 de abril a 1º de maio, deve destacar bioinsumos como tendência para a agricultura.
- No Brasil, o setor movimentou cerca de R$ 7 bilhões na safra 2024/25, representando entre quinze e dezoito por cento do consumo global, com o país entre os três maiores do mundo e crescimento nacional em torno de vinte por cento ao ano.
- Organizações como FAO, Embrapa, Abbins e Mapa veem potencial dos bioinsumos; o mercado global foi de cerca de US$ quinze bilhões em 2023 e pode triplicar até 2032, com quarenta e sete por cento a sessenta por cento das vendas em controle de pragas e doenças.
- Líderes do setor, como Abbins e Canaoeste, defendem que o Brasil pode reduzir a dependência de fertilizantes importados com políticas de ciência e tecnologia, ampliar a produção nacional de cepas e promover o uso gradual de bioinsumos, mantendo a conjunção com químicos quando necessário.
Foi registrado avanço no uso de bioinsumos na agricultura brasileira, com foco em reduzir custos e ampliar a sustentabilidade. O agricultor Ricardo Gontijo Eleoterio cultiva cana-de-açúcar, soja e amendoim em 15 mil hectares, distribuídos entre Ituverava (SP), Tupaciguara (MG), Cachoeira Alta (GO) e Paranaíba (MS). O piloto com bioinsumos começou há cinco anos para controlar pragas, com resultados positivos que motivaram expansão gradual.
Bioinsumos são produtos de origem biológica que promovem o crescimento das plantas, melhoram a fertilidade do solo e ajudam no manejo de pragas e doenças, reduzindo a dependência de químicos. Podem vir de microrganismos, extratos vegetais ou substâncias naturais, abrangendo biofertilizantes, inoculantes e agentes de controle biológico.
Durante a 31ª edição da Agrishow, a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, de 27 de abril a 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP), os bioinsumos devem ganhar destaque como tendência para os próximos anos.
Crescimento e impactos no custo
Em etapas da produção de Eleoterio, os biológicos já respondem por até 70% dos insumos aplicados. O produtor destaca que há avanço contínuo em pesquisas, com aporte de capital privado, abrindo caminho para ampliar o uso nas fazendas.
Os custos de biológicos apresentam vantagem competitiva: no tratamento da soqueira da cana, o valor médio caiu de R$ 250 para R$ 60 por hectare, contribuindo para uma relação custo-benefício favorável. Os biológicos de estímulo tendem a aumentar a produtividade, enquanto os de controle costumam ter desempenho próximo aos químicos, com vantagens de sustentabilidade.
Apesar dos ganhos, Eleoterio ressalta que não é possível substituir 100% dos químicos no curto prazo. Fatores climáticos afetam a persistência dos bioinsumos; ambientes secos e queimadas dificultam o controle, exigindo a combinação com defensivos químicos.
Macroambiente e perspectivas
A adoção de bioinsumos acompanha tendências da FAO, de consultorias internacionais e de instituições nacionais como Embrapa, Abbins e Mapa. Relatórios apontam que o mercado global de bioinsumos movimentou cerca de US$ 15 bilhões em 2023 e pode triplicar até 2032, com 57% das vendas voltadas ao controle de pragas e doenças.
No Brasil, o segmento ganha espaço relevante. Na safra 2024/25, o mercado faturou cerca de R$ 7 bilhões, colocando o país entre os três maiores produtores, com participação de 15% a 18% do consumo global e metade do mercado da América Latina. O crescimento doméstico fica acima da média mundial, com ritmo próximo de 20% ao ano.
Iniciativas locais e futuro da indústria
A associação Canaoeste criou, em 2023, uma fábrica de biológicos para atender agricultores da região, com capacidade de produzir cepas específicas. Inicialmente houve desconfiança, superada pela extensão rural, e hoje 80 mil de 120 mil hectares atendidos já utilizam bioinsumos na última safra.
Dirigentes do setor destacam que a indústria caminha para um modelo mais competitivo, baseado em microrganismos da biodiversidade, com menos dependência de patentes de moléculas. A mudança é vista como parte de uma transformação estrutural na forma como a agricultura encara o manejo de solos, nutrição e defesa de culturas.
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