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Bioinsumos transformam a produção agrícola, aponta estudo

Bioinsumos ganham espaço no Brasil, com redução de custos e aumento de produtividade; Agrishow evidencia expansão e potencial revolucionário na agricultura

‘Revolução gigantesca’ é a expressão usada pelo diretor executivo da Abbins, Reginaldo Minaré, para definir o impacto dos bioinsumos
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  • Bioinsumos são produtos de origem biológica usados na agricultura para promover o crescimento, melhorar a fertilidade do solo e controlar pragas, reduzindo a dependência de insumos químicos.
  • No Brasil, o uso desses produtos tem crescido e, na safra 2024/25, o mercado movimentou cerca de R$ 7 bilhões, com o país respondendo por entre quinze e dezoito por cento do consumo global.
  • Na operação do agricultor Ricardo Gontijo Eleoterio, em etapas da produção, os biológicos já representam até setenta por cento dos insumos aplicados, com perspectiva de expansão.
  • Há também redução de custos: no tratamento da soqueira da cana, o valor por hectare caiu de R$ 250 para R$ 60, e a relação custo‑benefício é apontada como favorável, ainda que nem tudo substitua totalmente os químicos.
  • A Agrishow, de 27 de abril a 1º de maio, em Ribeirão Preto, deve evidenciar os bioinsumos como tendência para a agricultura, respaldados por entidades e pesquisas nacionais e internacionais.

O agricultor Ricardo Gontijo Eleoterio produz cana-de-açúcar, soja e amendoim em 15 mil hectares nas cidades de Ituverava (SP), Tupaciguara (MG), Cachoeira Alta (GO) e Paranaíba (MS). Há cinco anos testa bioinsumos para combater pragas, com resultados que motivaram a expansão gradativa.

Bioinsumos são produtos de origem biológica usados para promover o crescimento, melhorar a fertilidade do solo e auxiliar no controle de pragas e doenças, reduzindo a dependência de insumos químicos. Eles vêm ganhando espaço pela menor pegada ambiental e potencial de produtividade.

Durante a Agrishow, que ocorre de 27 de abril a 1º de maio em Ribeirão Preto (SP), o tema aparece como uma das principais tendências para a agricultura dos próximos anos. O evento reúne produtores e empresas de tecnologia agrícola.

Em etapas da produção, os biológicos já chegam a representar até 70% dos insumos aplicados por Eleoterio. O agricultor comenta que pesquisas avançam com apoio de capital privado, abrindo caminho para ampliar o uso nas fazendas.

Os bioinsumos se destacam pela eficácia similar aos químicos e por custos menores em certos tratamentos. No manejo da soqueira da cana, o custo médio caiu de 250 para 60 reais por hectare, segundo ele.

A relação custo-benefício é considerada positiva. Biológicos de estímulo elevam a produtividade; de controle têm desempenho próximo aos químicos, com variabilidade conforme condições climáticas. Em ambientes secos, o controle pode recair sobre químicos.

Eleoterio não enxerga substituição total dos químicos no curto prazo. Provas de clima e palhada úmida ajudam a manter o biológico ativo; em épocas de seca ou queimadas, a combinação com químicos continua necessária.

Crescimento e perspectivas

A FAO, consultorias internacionais e instituições nacionais acompanham o avanço dos bioinsumos, que movimentaram cerca de US$ 15 bilhões em 2023 e podem triplicar até 2032, com foco maior em controle de pragas e doenças. O Brasil figura entre os maiores mercados.

No país, a safra 2024/25 registrou aproximadamente R$ 7 bilhões no setor, correspondendo a 15% a 18% do consumo global e metade do mercado latino-americano. O crescimento brasileiro fica acima da média global, em torno de 20%.

A associação brasileira de bioinsumos aponta que, além da eficiência, o sistema regulatório e o domínio tecnológico impulsionam o avanço. Em 2023, a entidade criou uma fábrica de biológicos para atender associados.

O diretor executivo da Canaoeste destaca que a produção interna de cepas específicas facilita o acesso ao agricultor, reduzindo custos por tratar-se de uma cooperativa. O objetivo é ampliar o uso junto aos produtores.

A Abbins, associação ligada ao setor, avalia que políticas públicas estruturadas podem reduzir a dependência de fertilizantes importados, hoje majoritários no Brasil. Mesmo com o volume atual, o segmento é pequeno frente aos defensivos e fertilizantes.

Para especialistas, o mercado global de bioinsumos continua em expansão, com modelos de fornecimento que permitem tanto produtos prontos quanto insumos para produção local. A tendência é de maior integração entre ciência, tecnologia e agricultura.

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