- Renaturalização de rios urbanos avança como resposta às enchentes e às chuvas extremas, com experiências em Curitiba, Campinas e São Paulo.
- A reabertura de córregos, associada ao aumento de áreas verdes, busca reduzir alagamentos e melhorar a gestão da água nas cidades.
- O movimento parte da ideia de que a urbanização histórica canalizou rios, reduzindo a absorção da água da chuva e aumentando riscos durante eventos climáticos extremos.
- Exemplos práticos citados incluem o Parque Barigui, em Curitiba, como bacia natural de retenção, e o Parque Portugal, em Campinas; em São Paulo, o Córrego do Bixiga está no eixo de renaturalização.
- A abordagem é complementar a infraestrutura verde, como jardins de chuva e telhados verdes, visando reter água, reduzir ilhas de calor e exigir planejamento urbano territorial.
A renaturalização de rios urbanos ganha espaço como resposta às enchentes e às chuvas extremas que afetam grandes cidades brasileiras. Iniciativas em Curitiba, Campinas e São Paulo demonstram que a recuperação de córregos, aliada a áreas verdes, reduz alagamentos e reforça a gestão da água na cidade.
Especialistas associam a prática a soluções baseadas na natureza, defendidas por organizações internacionais. A ideia é devolver funções ecológicas aos cursos d’água, fortalecendo a absorção de água e a permeabilidade do solo urbano.
Historicamente, rios foram canalizados para dar espaço a vias e construções. Isso reduziu a capacidade de retenção da água, aumentando o risco de inundações em períodos de chuva intensa. A requalificação dos rios urbanos envolve ações multidisciplinares para enfrentar esse desafio.
Experiências que ganham evidência
Em Curitiba, o Parque Barigui funciona como bacia natural de retenção de cheias desde os anos 1970, em área de várzea. A manobra mostra como detritos de urbanização podem ser amenizados com a natureza integrada ao planejamento urbano.
Segundo Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, áreas degradadas perdem parte da disponibilidade hídrica durante secas. Vegetação nativa reduz perdas entre 6% e 11%.
Em Campinas, o Parque Portugal, na Lagoa do Taquaral, atua como reservatório natural. A prefeitura afirma que há planejamento para ampliar infraestruturas baseadas na natureza, com parques lineares ao longo de rios, incluindo zonas de vulnerabilidade social.
São Paulo avança na reversão de um modelo
Na capital paulista, muitos córregos foram soterrados ao longo do tempo. O projeto de renaturalização do Córrego do Bixiga prevê a reabertura do curso d’água, recuperação de nascentes e ampliação de áreas verdes no centro da cidade.
A iniciativa de São Paulo é citada como exemplo de que mudanças são possíveis em áreas urbanas densas. Especialistas destacam que iniciativas como essa devem ocorrer em diferentes escalas, conforme as características locais.
Infraestrutura verde como conjunto
A renaturalização costuma caminhar junto a jardins de chuva, telhados verdes e bacias de retenção. Essas ações ajudam a infiltrar a água no solo e retardar o escoamento, reduzindo também ilhas de calor.
Para Baladelli Ribeiro, a inclusão de estruturas que retêm água temporariamente é parte essencial desse conjunto. A água retorna ao solo, favorece a evapotranspiração e contribui para resiliência urbana.
Planejamento territorial é essencial
Especialistas alertam que intervenções isoladas não bastam diante das mudanças climáticas. É necessário articular um sistema de requalificação de paisagens urbanas com solo vivo e vegetação nativa.
Juliana Baladelli Ribeiro ressalta que a adaptação deve ocorrer de forma territorial, com intervenções que vão desde ações de pequeno porte até grandes obras, conforme as características de cada cidade.
Essa tendência aponta que a renaturalização de rios não é apenas uma agenda ambiental, mas parte central das estratégias urbanas e econômicas das cidades brasileiras.
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