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Biohackers investem US$8 mil em tratamentos de sangue antienvelhecimento sem evidência

Biohackers gastam mais de US$ 8 mil por litro em terapias extracorpóreas de sangue sem comprovação, com riscos graves e ausência de evidência clínica em humanos

Clínicas nos EUA cobram até US$ 8 mil por litro de plasma jovem apesar de alerta do FDA, emitido em 2019, indicando ausência de benefício clínico comprovado para pessoas saudáveis
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  • Clínicas de bem-estar nos EUA cobram mais de US$ 8 mil por litro em terapias de sangue antienvelhecimento extracorporais.
  • Existem três modalidades disponíveis: plasmaférese, EBOO (oxigenação e ozonização extracorpórea do sangue) e transfusões de “sangue jovem”.
  • Originalmente criadas para doenças, as terapias são vendidas como solução de longevidade, apesar de não haver evidência clínica de benefício.
  • Os riscos incluem hemólise, insuficiência renal, embolias, derrames e lesões pulmonares associadas à transfusão, além de vulnerabilidade a infecções durante o procedimento.
  • A FDA em 2019 emitiu alerta dizendo que não há benefício comprovado em pessoas saudáveis, e pesquisadores de Stanford se distanciaram de clínicas comerciais que oferecem os procedimentos.

A busca por terapias antienvelhecimento levou clínicas de bem-estar dos EUA a oferecer terapias extracorporais de sangue. Procedimentos que retiram sangue, processam externamente e devolvem ao paciente chegam a custar mais de US$ 8 mil por litro, segundo o Daily Mail. Entre os adeptos estão nomes do movimento biohacker, como Bryan Johnson e Ben Greenfield.

Há três modalidades disponíveis: plasmaférese, que drena e substitui o plasma; EBOO, que filtra o sangue e o expõe ao ozônio; e transfusões de sangue jovem, que trocam plasma de idosos pelo de doadores mais jovens. O marketing se conecta à longevidade, não a diagnósticos.

A plasmaférese foi originalmente desenvolvida para distúrbios autoimunes graves, como polineuropatia desmielinizante inflamatoria crônica. Em tese, o procedimento remove anticorpos do plasma para evitar incapacidade. A prática prolonga a vida útil de alguns pacientes, mas não é comprovada para longevidade.

Especialistas apontam que a versão para longevidade não apresenta base bioquímica sólida. O plasma contém imunoglobulinas, proteínas úteis e fatores de coagulação. A reconstrução desses componentes ocorre em até dois dias, deixando o corpo mais vulnerável a infecções.

O EBOO utiliza tecnologia derivada da diálise. Em clínicas, variantes foram estudadas para infecções crônicas, ainda sem aplicação segura em pessoas saudáveis. Ozônio em altas concentrações pode causar hemólise e insuficiência renal aguda.

Qualquer falha no circuito extracorporal pode introduzir ar na circulação, gerando embolia, derrames e ataques cardíacos. Há relatos de crises neurológicas, infartos isquêmicos e alterações mentais após ozônio intravenoso.

No caso das transfusões de sangue jovem, surge o risco adicional de TRALI, lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão, potencialmente fatal. O conjunto de riscos preocupa médicos diante de clientes saudáveis.

Estudos em camundongos na Universidade Stanford mostraram que transfusões de sangue jovem reverteram alguns marcadores de envelhecimento em tecidos. A hipótese envolve proteínas circulantes e sinais de crescimento que diminuem com a idade.

A FDA em 2019 emitiu alerta formal: não há benefício clínico comprovado nessas transfusões para pessoas saudáveis. Pesquisadores de Stanford que estudaram o tema distanciaram-se de várias clínicas comerciais. Não existem dados de segurança de longo prazo para humanos.

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