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Doulas da morte, Nicole Kidman revela interesse na profissão

Nicole Kidman pretende atuar como doula da morte; prática em expansão enfrenta ausência de regulamentação no Brasil e no exterior

Nicole Kidman quer atuar como doula da morte após a morte da mãe — Foto: Reprodução/ Instagram
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  • Nicole Kidman revelou que pretende se tornar doula da morte após a morte da mãe, Janelle Ann Kidman, em setembro de 2024, dizendo ter sentido a necessidade de apoio imparcial e presente.
  • Doulas da morte oferecem suporte emocional, espiritual e prático a pessoas em fase terminal e aos familiares, incluindo espaço para falar sobre a finitude, planejamento de cuidados e acompanhamento no luto.
  • A prática tem crescido, com cursos específicos, mas não possui regulamentação clara em muitos países; no Brasil, a lei 15.381/2026 reconhece doulas apenas para gestação, parto e pós-parto.
  • Nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido, a atividade existe e se amplia, mas não é regulamentada, limitando-se a presença, escuta e orientação, sem atribuições de profissionais regulamentados.
  • Tatiana Barbiere Santana, doula da morte e idealizadora do AmorTser, explica a diferença entre cuidados paliativos e doula da morte e destaca a construção de um plano de cuidado para o final de vida.

Nicole Kidman revelou, nesta semana, o interesse em atuar como doula da morte, buscando apoiar pessoas em fase terminal e seus familiares. A decisão veio após a morte de sua mãe, Janelle Ann Kidman, aos 84 anos, em setembro de 2024, quando a atriz disse ter se sentido sozinha durante o processo.

Durante evento HistoryTalks, a atriz descreveu a função como oferecer presença, consolo e apoio imparcial, destacando a importância de uma formação específica. Ela ressaltou que a prática atende a uma necessidade social silenciosa e aponta que a personalidade adequada é essencial para desempenhar o papel.

O que faz uma doula da morte

A atuação, ainda pouco conhecida, vem ganhando espaço nos últimos anos por meio de cursos e formações. Segundo a Associação Internacional de Doulas de Fim de Vida (Inelda), a doula da morte oferece companhia, conforto emocional e orientação a pacientes com doença terminal e a familiares.

Entre as atribuições estão promover espaço para conversas sobre morte, discutir o significado da vida e o legado do paciente, auxiliar no planejamento de cuidados de fim de vida, incorporar rituais e apoiar no cuidado físico para aliviar o peso sobre os familiares, além de orientar nos estágios iniciais do luto.

Regulação e cenário internacional

A profissão ainda não possui regulamentação específica em grande parte do mundo. No Brasil, a lei 15.381/2026 reconhece a figura da doula apenas para gestação, parto e pós-parto; o apoio no fim da vida permanece sem marco legal. Estados Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido apresentam prática similar, sem regulamentação própria para doulas da morte.

A diferença, segundo profissionais da área, é que a equipe de cuidados paliativos concentra médicos, enfermeiros e psicólogos para tratar o adoecimento, enquanto a doula foca na dimensão humana da finitude, oferecendo presença e suporte emocional.

histórias de quem atua no Brasil

Tatiana Barbiere Santana, doula da morte e idealizadora do AmorTser, descreve a atuação como complementando a medicina: a doula cuida da sua experiência humana, não da doença. Santana, que atuou por 15 anos como enfermeira de emergência e UTI, afirma que o despreparo do sistema para lidar com a finitude motiva a prática.

Na prática, a doula orienta pacientes sobre decisões como planos de tratamento, desejos de cremação ou enterração e, quando pertinente, facilita conversas entre pessoa e familiares para alinhar cuidados ao fim da vida. O objetivo é construir um plano de cuidado que faça sentido para o paciente.

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