Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Estudo sugere que humanos têm capacidade biológica para fazer e apreciar música

Estudo sugere que a música tem base biológica, presente em todas as culturas e parcialmente independente de ensino

Homem vestido com terno escuro toca violino com expressão concentrada. Fundo preto destaca o instrumento e as mãos do músico.
0:00
Carregando...
0:00
  • Estudo publicado na Current Biology aponta que gostar e fazer música tem base biológica, sugerindo que os humanos são inerentemente musicais.
  • A música aparece em todas as culturas, apresentando padrões comuns, como uso de um conjunto limitado de intervalos de altura, restrições rítmicas e contornos melódicos característicos.
  • Pesquisas com crianças indicam que recém-nascidos já possuem percepção de ritmo, o que reforça a ideia de habilidade inata.
  • A evolução da musicalidade é vista como um mosaico de componentes (multicomponentes), resultante da interação entre predisposições biológicas e influências culturais; não há consenso sobre a definição biológica estrita.
  • Outros animais mostram parte da musicalidade, como sincronização ou percepção de batidas, mas a forma completa parece ter desenvolvido-se sobretudo na espécie humana.

A biologia humana pode explicar por que gostamos e fazemos música. Um estudo publicado em março na Current Biology sustenta que a musicalidade tem raízes biológicas e que os humanos são inerentemente musicais. O pesquisador principal é Henkjan Honing, da Universidade de Amsterdã.

O artigo revisa duas décadas de pesquisas em psicologia, neurociência, biologia, genética e cognição animal, para entender como a percepção musical pode depender menos de ensinamento cultural do que de predisposições naturais. A conclusão aponta para padrões universais da música.

A evidência começa com a presença da música em todas as culturas, ainda que varie, apresentando intervalos de altura limitados, padrões rítmicos restritos e contornos melódicos comuns entre sociedades.

Estudos com crianças também sustentam a ideia de uma base inata. Um trabalho de 2009, publicado na Pnas, indica que recém-nascidos percebem ritmo, sugerindo predisposição biológica desde o nascimento.

De acordo com Honing, o foco atual é a musicalidade, definida como a capacidade de apreciar e produzir sons estruturados. Ainda não há consenso sobre o aspecto biológico isoladamente.

Para Beatriz Ilari, professora da USC, a musicalidade tem lado biológico, mas depende de cultura para se desenvolver. Ela defende integração de fatores culturais e biológicos nos estudos.

Patrícia Vanzella, da UFABC, acrescenta que musicalidade resulta da interação entre predisposições biológicas e influências culturais, destacando a necessidade de mais pesquisas no Brasil, com forte tradição musical.

Função adaptativa da musicalidade

A discussão envolve por que a música persiste ao longo de milênios. Darwin sugeriu atração de parceiros, mas há também a hipótese de que a música favorece a coesão social em cerimônias e rituais.

A pesquisadora da UFABC aponta que ambas explicações ajudam, mas não esgotam o tema. A música seria ferramenta de comunicação emocional e de coesão social, entre outras funções.

A ideia de multicomponentes descreve a musicalidade como um mosaico de habilidades, com origens distintas. Algumas capacidades são ancestrais, outras aparecem apenas em determinadas espécies.

Comparação com outros animais

Honing afirma que a forma humana completa da musicalidade é exclusiva da espécie, mas animais apresentam componentes do mosaico, como sincronização, percepção de altura e ritmo.

Estudos recentes indicam que macacos podem sincronizar batidas com música, sugerindo evolução gradual de certas habilidades. O caso da cacatua Snowball também é citado como exemplo de percepção de batida em animais.

Música e linguagem

O artigo ressalta que a música pode ter precedido a linguagem, não sendo apenas linguagem com decoração. Neuroimagem mostra que música e fala envolvem regiões distintas do cérebro, com desenvolvimento possivelmente independente.

Algumas pessoas exibem fortes habilidades musicais mesmo com dificuldades em linguagem, o que reforça a ideia de caminhos separados no cérebro.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais