- A quebra da patente da semaglutida elevou a expectativa por opções mais baratas, mas nem todos têm boa resposta: em certos estudos, entre 9% e 15% não perdem ao menos 5% do peso nos primeiros meses.
- O ajuste gradual de dose e o manejo de efeitos colaterais influenciam a eficácia; alterações sem acompanhamento médico podem comprometer os resultados.
- A não resposta envolve fatores biológicos, clínicos e comportamentais, como peso inicial, idade, duração da diabetes e função renal; doses mais altas costumam gerar maior perda de peso.
- Evidências sugerem que fatores genéticos podem moderar a eficácia e os efeitos colaterais, com variantes ligadas ao receptor GLP-1 associadas a melhores resultados e a náusea com tirzepatida.
- No aspecto custo-benefício, diferentes países restringem o acesso; no Brasil, o pedido de incorporação no SUS foi rejeitado por alto impacto orçamentário, e há programa piloto de Wegovy em centros da rede pública.
A quebra de patente da semaglutida, em março, elevou o interesse por alternativas acessíveis das chamadas canetas antiobesidade, como Ozempic e Wegovy. Contudo, a perda de peso não é igual para todos os pacientes: cerca de 10% não alcançam o peso esperado nos primeiros meses.
Dados de ensaios mostram variação na não resposta. No STEP 1, 14% não perderam ao menos 5% do peso. No SURMOUNT-1, a taxa foi de 9,1% com dose de 15 mg, 11,1% com 10 mg e 14,9% com 5 mg.
A explicação não é simples. O manejo envolve ajuste de dose, tolerância a efeitos colaterais e adesão ao tratamento, que exige acompanhamento médico para sustentar a perda de peso a longo prazo.
Por trás da não resposta
A resposta varia por fatores biológicos, clínicos e comportamentais. Pacientes com diabetes costumam apresentar menor perda de peso, possivelmente pela resistência à insulina.
Estudos indicam que peso inicial, idade, duração do diabetes e função renal influenciam os resultados. Com isso, a dose elevada pode oferecer maior eficácia, mas aumenta efeitos adversos.
Dosagem e farmacocinética
Ensaios recentes mostram que doses maiores de semaglutida reduzem mais o peso. Em 72 semanas, 7,2 mg resultou em queda de 18,7% versus 15,6% com dose padrão. Ainda houve maior proporção de perdas de 20% e 25%.
A tolerância motiva ajustes: o aumento gradual costuma reduzir efeitos indesejados, mas nem sempre facilita a adesão. Em alguns casos, recuar temporariamente é recomendado.
Influência de outros fármacos e genética
A recomendação médica é reavaliar medicações que promovem ganho de peso e substituí-las, quando possível. Medicações como insulina, antidepressivos e glicocorticoides podem interferir no resultado.
Pesquisas recentes associam variações genéticas ao grau de resposta. Estudos indicam que determinadas variantes do receptor GLP-1 podem favorecer a eficácia e aumentar náuseas, abrindo caminho para abordagens mais personalizadas.
Quando o tratamento não atende
A primeira medida é confirmar o ajuste da dose e a continuidade do uso. Fatores como dieta, sono, estresse e comorbidades também influenciam a resposta.
Caso a resposta seja insuficiente, é comum reforçar mudanças de estilo de vida, ajustar a dose ou trocar o medicamento, sempre com acompanhamento médico.
Custo-benefício e políticas públicas
Tratamentos caros impõem dilemas de custo-efetividade, levando países a critérios mais rígidos de indicação e financiamento. No Reino Unido, a semaglutida tem uso restrito e monitoramento multidisciplinar.
No Canadá, o reembolso público passou a depender de critérios clínicos e de medidas associadas a dieta e atividade física. No Brasil, a Conitec negou, em 2025, incorporar Wegovy ao SUS por impacto orçamentário.
Em 2026, a Novo Nordisk anunciou um programa piloto da Wegovy na rede pública, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, para coletar dados sobre impacto clínico, econômico e social.
Perspectiva de longo prazo
Especialistas ressaltam que a variação na resposta ocorre tanto no setor público quanto no privado. A expectativa é de que avanços genéticos e ajustes de dose ampliem a eficácia, sem perder a segurança.
Ampliar o acesso não deve alterar a proporção de respondentes, conclui-se, mantendo o acompanhamento médico como parte essencial do tratamento.
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