- Linha 6‑Laranja de São Paulo está com 80% de execução; o trecho Brasilândia–Perdizes tem entrega prevista para o segundo semestre e Perdizes–São Joaquim para 2027, em uma obra de 15,3 km com 15 estações e capacidade de mais de 630 mil passageiros por dia.
- O governo paulista contratou R$ 28,5 bilhões em ferrovias entre 2023 e 2025 e prevê três leilões em 2026, dentro do programa SP Nos Trilhos que soma mais de R$ 194 bilhões em investimentos.
- Vinicius Zamai Seva, engenheiro geotécnico, afirma que, em obras subterrâneas urbanas, a investigação do subsolo e o monitoramento são cruciais para orientar decisões de projeto.
- A atuação integrada envolve sondagens, ensaios, fundações profundas, contenção e monitoramento de recalques e deslocamentos, com exemplos de riscos que justificam esse cuidado técnico.
- Seva já aplica painéis em Power BI com georreferenciamento para acompanhar as campanhas; aponta potencial para transferir metodologias brasileiras para o mercado americano, que enfrenta déficit de infraestrutura e demanda por projetos complexos.
A geotecnia ganha destaque em obras de infraestrutura de São Paulo, com a Linha 6-Laranja do Metrô atingando 80% de execução. O engenheiro Vinicius Zamai Seva analisa os desafios de investigação de subsolo e monitoramento em áreas urbanas.
Segundo dados do governo paulista, o trecho Brasilândia-Perdizes deve ser entregue no segundo semestre de 2026, enquanto o segmento Perdizes-São Joaquim fica para 2027. A linha tem 15,3 km e 15 estações subterrâneas.
Ela deve transportar mais de 630 mil passageiros por dia, reduzindo o tempo entre a zona norte e o centro de 1h30 para 23 minutos. A obra integra um ciclo de investimentos em ferrovias estimado em bilhões de reais.
A atuação de Vinicius Zamai Seva
Engenheiro civil com atuação no Brasil e nos EUA, Seva coordena a área geotécnica em grandes projetos de infraestrutura. Ele ressalta que, em obras subterrâneas urbanas, a investigação do subsolo condiciona todas as decisões de projeto.
A prática envolve sondagens, ensaios laboratoriais, fundações profundas, contenção de estruturas e monitoramento de recalques. A integração entre etapas é crucial para o avanço seguro das escavações, afirma o especialista.
Contexto de investimentos e experiências
A expansão paulista ocorre em meio a contratos de R$ 28,5 bilhões em ferrovias entre 2023 e 2025. O estado planeja leilões em 2026, incluindo o Lote ABC Guarulhos e a Linha 16-Violeta. O programa SP Nos Trilhos envolve mais de R$ 194 bilhões em investimentos.
Seva lembra que a experiência brasileira em solos moles, falhas e interfaces urbanas ajuda a enfrentar desafios semelhantes nos EUA, onde há déficit de infraestrutura estimado em US$ 3,7 trilhões até 2033. Studios de geotecnia brasileira ganham projeção internacional.
Experiências práticas do profissional
Entre 2013 e 2020, Seva participou de trechos do Rodoanel Norte, dimensionando fundações de 13 pontes e muros de contenção. Na Linha 6-Laranja, coordenou campanhas com mais de 700 sondagens e 50 equipes de leitura de instrumentação.
Na atual função, ele supervisiona a escavação sob diferentes formações geológicas separadas pela Falha Taxaquara. O monitoramento constante foi determinante para o avanço das frentes de escavação.
Inovação e gestão de dados
Para gerenciar o grande volume de dados, Seva implementou painéis em Power BI com georreferenciamento de furos. A atualização em tempo real facilita a avaliação de progresso e já funciona como modelo para replicação.
O uso de ferramentas digitais, segundo o engenheiro, aumenta a capacidade de resposta a situações imprevistas em campo. Ele é membro da ASCE e da ABMS, e está em formação para certificado PE nos EUA.
Perspectivas e impactos
Para Seva, o crescimento de obras, a escassez de geotécnicos especializados e a complexidade geológica devem pressionar prazos e custos nos próximos anos. A geotecnia bem aplicada previne imprevistos, mas exige investimento antecipado em investigação.
Entre na conversa da comunidade