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Estudo aponta seca até 2100, 753 milhões sem água e milho em risco

Estudo aponta secas persistentes até 2100, deixando até 753 milhões sem água e potencial queda de safras, com maior risco em áreas urbanas

As conclusões do estudo da Nature Communications sobre secas persistentes e suas implicações para a segurança hídrica global
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  • Estudo da Nature Communications alerta que secas persistentes podem durar anos até 2100, deixando 753 milhões de pessoas expostas à escassez extrema de água.
  • Hotspots de seca devem ficar no Mediterrâneo, sul da África e partes da América do Norte; cerca de 35% das regiões propensas podem enfrentar Day Zero Drought nos próximos 15 anos.
  • Índia, China e Estados Unidos aparecem entre os mais ameaçados devido à dependência da água para agricultura e indústria; megasseca no sudoeste dos EUA pode persistir até 2100.
  • Na agricultura, a seca prolongada pode reduzir até 50% a produtividade de milho em partes da África, além de perdas de trigo na Índia e no Mediterrâneo e escassez de água para irrigação na China e nos EUA.
  • Mesmo com aquecimento limitado a 1,5 °C, centenas de milhões ainda enfrentarão escassez; reduzir emissões e investir em adaptação, como armazenamento de água e reúso, são medidas cruciais.

O estudo divulgado pela Nature Communications alerta para uma era de secas persistentes até 2100, que pode deixar até 753 milhões de pessoas sem água e reduzir safras de milho pela metade em algumas áreas. O conceito central é o Day Zero Drought, quando a demanda supera a oferta de água disponível, mesmo com choques de chuva eventuais. O texto descreve secas que se tornam episódicas, porém contínuas, sem tempo suficiente para a recuperação dos ecossistemas.

Segundo os modelos climáticos, áreas como Mediterrâneo, sul da África e partes da América do Norte apresentam hotspots de seca. Cidades com alta densidade populacional aparecem entre as mais vulneráveis, devido ao uso intensivo de água. A pesquisa aponta que 35% das regiões propensas à seca podem enfrentar Day Zero já nos próximos 15 anos.

Regiões e populações em risco

Até o fim deste século, 753 milhões de pessoas podem enfrentar escassez extrema. Desse total, 467 milhões vivem em áreas urbanas e 286 milhões em zonas rurais. Ameaças maiores aparecem no sudoeste dos Estados Unidos, onde uma megasseca pode perdurar até 2100, segundo outras análises com base em registros de sedimentos. Cidades como Los Angeles aparecem entre as mais impactadas.

Impactos na produção de alimentos

A disponibilidade de água é o fator limitante para a agricultura. Secas prolongadas reduzem o rendimento de culturas como trigo, arroz e milho, elevando o risco de preços altos e instabilidade social. Na África e na Ásia rural, a dependência da agricultura de sequeiro aumenta a vulnerabilidade. Estima-se redução de até 50% na produtividade de milho em partes da África.

Exemplos regionais de pressão hídrica

A Índia já vivenciou crise hídrica severa em Chennai em 2019, com sintomas de esgotamento de reservas. A China enfrenta esgotamento de aquíferos e menor fluxo nos rios do norte, comprometendo irrigação e abastecimento. Em várias regiões, a demanda agrícola pressiona os reservatórios de água de uso urbano.

Caminhos de adaptação e prevenção

Mesmo com restrição de aquecimento a 1,5°C, centenas de milhões devem enfrentar escassez. A mitigação climática continua essencial para reduzir severidade e extensão das secas. Medidas de adaptação são urgentes: ampliar armazenamento de água, promover reúso de efluentes tratados e incentivar dessalinização. Planos hídricos proativos são determinantes para evitar impactos desproporcionais em países pobres.

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