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Solano de Camargo lança livro sobre impactos da IA na advocacia

Painel na AASP discute impactos da IA na advocacia: produtividade, estratégia e responsabilidade, além de riscos como vazamento de dados e vieses

Solano de Camargo durante os debates da segunda mesa.
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  • Lançamento do livro Inteligência Artificial na Advocacia – Impactos Reais sobre Produtividade, Estratégia e Responsabilidade, durante painel na sede da AASP, em 24 de abril, com Solano de Camargo como mediador.
  • Painel discutiu o uso da IA na advocacia, incluindo dados de pesquisas internacionais sobre adoção, aplicações (pesquisa, análise de dados, redação, tradução) e riscos como vazamento, alucinação e vieses, com tese de autorregulamentação (soft law).
  • Debates entre Eleonora Coelho e Leonardo Sica destacaram a necessidade de letramento em IA, ética na Justiça, uso responsável e transparência em decisões judiciais, além de preocupações com injecções de prompts.
  • Segunda mesa contou com equipes jurídicas de empresas e o advogado Alexandre Zavaglia, que enfatizaram governança, limites dos atos privativos e a importância de entender IA para evitar assimetrias e ampliar capacidades profissionais.
  • Relatos de prática mostraram impactos da IA na rotina jurídica (avatares para clientes, automação de peças, detecção de fraudes processuais) e a discussão sobre o efeito da IA no mercado de trabalho e na regulação, como o marco da IA e possíveis custos/ royalties.

Durante o painel realizado na sede da AASP, foi lançado o livro Inteligência Artificial na Advocacia – Impactos Reais sobre Produtividade, Estratégia e Responsabilidade, de Solano de Camargo. O evento aconteceu no dia 24 de abril, com discussão sobre impactos da IA na prática jurídica.

Camargo atua como professor de Direito Internacional na USP, presidente da Comissão de LGPD e IA da OAB/SP e sócio-fundador do LBCA. A abertura foi marcada pela fala de Rogério Tucci, diretor cultural da AASP, que ressaltou a relevância da obra e da parceria com a entidade.

Painel de abertura: temas centrais

A primeira mesa contou com Leonardo Sica, presidente da OAB/SP, e Eleonora Coelho, conselheira do CAM-CCBC, sob mediação de Camargo. O debate enfatizou aspectos da IA na arbitragem internacional, incluindo pesquisa jurídica, análise de dados e precedentes.

Eleonora Coelho apresentou dados de pesquisas internacionais sobre adoção de IA na advocacia. Entre 2018 e 2025, a proporção de profissionais que utilizavam IA evoluiu de quase metade para todos os respondentes da amostra, com variação no uso para pesquisa factual, análise de dados, redação de peças e produção de documentos.

Riscos da IA na arbitragem foram destacados, como vazamento de dados, alucinações que podem anular laudos e vieses algorítmicos. A importância de autorregulamentação (soft law) para reduzir riscos e manter confidencialidade foi ressaltada.

Camargo apontou inquietações sobre uso de IA pelo julgador sem transparência. Ele citou a possibilidade de juízes utilizarem IA baseada em acervos pessoais para redigir decisões, o que pode comprometer o contraditório e o devido processo.

Outra preocupação envolve as chamadas injeções de prompts, técnicas de ocultar instruções em documentos para influenciar IA. Camargo alertou para a necessidade de letramento jurídico que permita detectar tentativas de manipulação em peças processuais.

Testemunhos da prática jurídica

Leonardo Sica destacou o ritmo acelerado da IA frente a uma tradição de evolução mais lenta no Direito. Ele lembrou que o ensino jurídico já capacitou milhares de profissionais e que a outra metade do caminho envolve ética e regulamentação no uso da IA.

Sica também comentou sobre audiências telepresenciais e os riscos associados, citando estudos que indicam fraudes processuais em ambientes digitais. A necessidade de transparência sobre o uso de IA na decisão é ressaltada por Camargo como tema central para o contraditório.

Perspectivas das empresas

Fabiana Siviero, da 99 Tecnologia, destacou que a IA é uma transformação irreversível para advogados, que devem incorporar a tecnologia sem perder ética e cultura jurídica. Ela citou gargalos como padronização de formatos para tribunais e a importância de traduzir a IA para várias gerações de profissionais.

Siviero apresentou casos da própria empresa onde IA auxilia na gestão de motoristas e usuários, com fluxos automatizados que envolvem advogados humanos apenas quando necessário. Ela sublinhou que a IA deve empoderar, não substituir completamente a prática jurídica.

Fernanda Funcki, da Microsoft, ressaltou que advogados precisam entender o negócio do cliente e atuar de forma estratégica já no início das discussões. Ela apontou que a IA pode ampliar a capacidade de profissionais experientes, desde que haja governança, ética e critério na aplicação.

Michelly de Sá, da Decolar, afirmou que a IA cresce rapidamente e já orienta metas de automação de grande parte das tarefas jurídicas. Ela destacou a necessidade de cautela ao substituir funções de estágio por agentes de IA e a importância de checagens humanas para evitar fraudes.

Alexandre Zavaglia, da OAB/SP, comentou que IA e automação caminham juntas, mas que limites éticos e legais devem ser observados. Ele reforçou que atos privativos de cada profissão não podem ser exercidos por IA e que o letramento em IA é essencial para uso responsável.

Encerramento e reflexões

Zavaglia destacou que a IA não elimina a necessidade do fator humano; profissionais com experiência tendem a se tornar mais relevantes na era da IA. Solano de Camargo apontou a importância de acompanhar o marco regulatório em desenvolvimento e indicou que a regulação poderá avançar por meio da prática profissional e iniciativas setoriais.

Solano encerrou o painel discutindo a relação entre IA e direitos autorais, mencionando diferentes modelos de governança em países diversos. Ele também lembrou que a IA pode impactar registros trabalhistas, citando exemplos de demissões em massa em cenários de automação.

Ao longo do encontro, ficou evidente a convergência de perspectivas sobre uso responsável, ética, transparência e educação continuada como pilares para a adoção da IA na advocacia.

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