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Agrônomo que impulsionou vinhos finos no Sudeste vê setor em consolidação

Dupla poda de Murillo Regina move a colheita para o inverno, impulsionando vinhos finos no Sudeste e consolidando o setor

O engenheiro agrônomo Murillo de Albuquerque Regina, responsável pela técnica que mudou a forma de produzir vinho no Brasil
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  • Murillo de Albuquerque Regina desenvolveu a dupla poda, invertendo o ciclo da videira para colher no inverno e impulsionar vinhos finos no Sudeste.
  • A técnica surgiu nos anos 2000, aproveitando clima mais seco e maior amplitude térmica, levando à expansão de vinícolas entre São Paulo e Minas Gerais.
  • Regina foi reconhecido como Agrônomo do Ano pela Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo em dezembro de 2025, destacando o esforço coletivo do setor.
  • O setor está em consolidação: vinícolas investem em enoturismo, restaurantes e venda direta, com produção variando entre negócios e mercados.
  • Em fevereiro de 2025, houve a indicação de procedência para vinhos de inverno do Sul de Minas, etapa inicial rumo a uma denominação de origem.

Murillo de Albuquerque Regina, agrônomo reconhecido no Sudeste, é associado à prática que transformou a viticultura da região: a dupla poda, que antecipa a amadurecimento das uvas para o inverno. O método mudou o ciclo de produção entre São Paulo e Minas Gerais.

A técnica desloca a colheita da temporada tradicional para maio a julho, usando invernos com maior amplitude térmica para produzir vinhos de qualidade. Em pouco mais de duas décadas, a região migrou do café para vinhos finos.

Regina afirma que o movimento é fruto de esforço coletivo, não de protagonismo individual. Sua trajetória começou na Epamig, onde modernizou vinificações para apoiar os pioneiros do vinho de inverno.

O reconhecimento veio em 2025, quando foi eleito Agrônomo do Ano pela Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo. O prêmio reforça a importância da pesquisa aplicada à prática no campo.

A pergunta sobre viabilidade financeira aparece com frequência entre produtores: o vinho de inverno ganha mercado interno mesmo com impostos elevados e custos de produção. Regina destaca a competitividade com rótulos importados.

Para ele, o cenário econômico do início dos anos 2000 ajudou a impulsionar o setor, com cafeicultores buscando alternativas e investidores de fora do agronegócio se interessando pelo vinho.

Ao lado da dinâmica econômica, a geografia favorece o crescimento: o Sudeste concentra grande parte da população e das rotas de turismo, favorecendo enoturismo, venda direta e acesso a restaurantes.

Hoje o setor é visto como em consolidação. Muitas vinícolas investem em restaurantes, pousadas e visitas, mas Regina lembra que a produção não depende apenas do turismo para sustentar operações maiores.

O movimento ganhou institucionalização com a Associação Nacional de Produtores de Vinhos de Inverno (Anprovin), que reúne mais de 50 vinícolas e trabalha em certificação e rastreabilidade.

Em fevereiro de 2025, o sul de Minas recebeu a indicação de procedência para vinhos de inverno, etapa inicial para uma possível denominação de origem. O objetivo é ampliar a credibilidade do vinho de inverno.

Para Regina, o futuro do Sudeste depende de paciência e tempo: ajustes ao tempo da videira, do vinho e da maturação setorial. A estratégia é equilibrar enoturismo, vendas e canais especializados.

O agrônomo reforça que o vinho de inverno já deixou de ser apenas curiosidade e passa a ocupar espaço estável no mapa vitivinícola brasileiro, com base técnica e continuidade de investimentos.

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