Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Corrida por minerais críticos gera zonas de sacrifício que atingem povos pobres

A expansão da mineração de minerais críticos compromete água potável e saúde de comunidades carentes, destacando a necessidade de governança mais firme

Um minerador artesanal segura uma pedra de cobalto em uma mina perto de Kolwezi, no Congo, em 2022: cerca de 20 mil pessoas trabalham ali em meio a materiais tóxicos, em operações que afetam a saúde e a segurança hídrica de toda população da região. Junior Kannah/AFP via Getty Images
0:00
Carregando...
0:00
  • A expansão da mineração de minerais críticos está gerando “zonas de sacrifício” em que comunidades pobres enfrentam água poluída, problemas de saúde e impactos ambientais, enquanto avançam tecnologias como IA, turbinas eólicas e veículos elétricos.
  • Em 2024, a produção global de lítio consumiu cerca de 456 bilhões de litros de água, suficiente para atender domésticamente cerca de 62 milhões de pessoas na África Subsaariana; em regiões áridas, a mineração usa grande parte da água disponível.
  • Regiões como o Salar de Atacama, no Chile, chegam a responder por até 65% do consumo total de água local, com quedas de aquíferos, encolhimento de lagoas salinas e riscos para ecossistemas e agricultura.
  • A poluição hídrica associada à mineração, incluindo resíduos tóxicos e águas residuais, agrava doenças de pele, gastrointestinais, problemas reprodutivos e mortalidade infantil em áreas próximas, com impactos severos na República Democrática do Congo e no Chile.
  • Medidas propostas incluem governança internacional mais forte, regras de due diligence obrigatórias, padrões ambientais e de direitos humanos, maior participação de comunidades locais, reciclagem ampliada e redução da dependência de minerais recém-extraídos para reduzir pressões sobre água e saúde.

Há uma tensão latente na transição global para energia mais limpa: a expansão da mineração de minerais críticos sustenta tecnologias como IA, smartphones, veículos elétricos e turbinas, porém pode sacrificar água, saúde e ecossistemas em comunidades carentes. Relatos de pesquisadores destacam riscos de contaminação e uso intensivo de água em locais de extração.

Um estudo do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da UnU aponta que a produção de minerais críticos exige grandes volumes de água e gera resíduos tóxicos. A pesquisa ressalta que, sem fiscalização adequada, os benefícios tecnológicos podem vir acompanhados de custos humanos significativos em várias regiões do mundo.

O relatório associa a situação a regiões onde a mineração é centrada, como o Salar de Atacama, no Chile, e áreas da África, incluindo a República Democrática do Congo. Dados citados indicam impactos em água, alimentos e condições de saúde, agravados pela falta de saneamento e serviços médicos adequados.

A água é o aspecto mais evidente. Em 2024, a produção global de lítio consumiu aproximadamente 456 bilhões de litros de água, equivalente ao uso doméstico anual de 62 milhões de pessoas na África Subsaariana. Riscos de escassez afetam comunidades locais e ecossistemas.

A poluição também aparece como problema grave. Resíduos tóxicos e águas residuais com metais pesados, ácidos e resíduos radioativos são gerados pela mineração de terras raras, cobrindo lagoas de lixiviação com produtos químicos que comprometem aquíferos e rios.

Casos de saúde são relatados por comunidades vizinhas a minas de cobalto e cobre. Doenças de pele, gastrointestinais e problemas reprodutivos aparecem com maior frequência, segundo estudos de áreas na RDC e no Chile, onde cânceres e distúrbios neurológicos também são mencionados por médicos locais.

A transição energética enfrenta ainda custos alimentares locais. Em áreas como Peru, Bolívia e o chamado triângulo do lítio (Argentina, Chile e Bolívia), a água para irrigação e pecuária fica menos disponível, prejudicando culturas como a quinoa e a criação de animais, além de reduzir a pesca em rios poluídos.

Diante desse cenário, o estudo sugere caminhos para reduzir danos. A adoção de governança internacional mais robusta, com regras obrigatórias de due diligence, padrões ambientais e direitos humanos, aparece como medida central. Um eventual fundo global de minerais poderia tratar os minerais críticos como ativos compartilhados.

Outra linha defendida é a de investimentos em mineração com menor uso de água e maior monitoramento ambiental independente. Fortalecer a participação das comunidades locais e indígenas na gestão dos recursos também aparece como forma de distribuir melhor os benefícios e reduzir riscos.

No âmbito do consumo, ampliar a vida útil dos produtos, ampliar reciclagem e reduzir a dependência de minerais recém-extraídos são estratégias complementares. Tornar visíveis os custos socioambientais ajuda consumidores a pressionarem práticas corporativas responsáveis.

O documento conclui que os minerais críticos são essenciais para a sustentabilidade, mas alerta que a transição triunfa apenas se for justa e responsável. Caso contrário, crises hídricas, problemas de saúde e desigualdades persistentes podem acompanhar o avanço tecnológico.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais