- Um ictiossauro do gênero Temnodontosaurus, com mais de seis metros de comprimento e crânio de cerca de 1,5 metro, viveu há 180 milhões de anos no que hoje é o sul da Alemanha.
- O fóssil foi encontrado na pedreira de Mistelgau, Baviera, e preserva o crânio, mandíbula, nadadeiras, coluna e mais de 100 dentes.
- Traumas nas articulações do ombro e da mandíbula indicam lesões que teriam prejudicado nadar e caçar.
- Dentes desgastados e quatro gastrólitos no abdômen sugerem que o animal pode ter mudado de dieta para itens mais fáceis de engolir e processar.
- A descoberta indica que grandes predadores dessa linhagem persistiram na região por mais tempo do que se pensava, contribuindo para ajustar a linha do tempo do fim do Jurássico Inferior; novos estudos devem esclarecer dieta e comportamento.
Um fóssil de ictiossauro com mais de 180 milhões de anos revela um predador marinho que suportou ferimentos graves e, mesmo assim, deixou pistas sobre sua alimentação. O achado, descrito na revista Zitteliana, foi feito na Baviera, Alemanha.
O exemplar pertence ao gênero Temnodontosaurus, um dos maiores ictiossauros. O crânio mede cerca de 1,5 metro, e o animal é estimado entre 6,4 e 6,6 metros de comprimento. O esqueleto preserva crânio, mandíbula, nadadeiras e coluna.
Conservação impressiona: mesmo incompleto, o esqueleto mostra partes do crânio em três dimensões e dentição com mais de 100 dentes. Marcas de trauma aparecem nas articulações do ombro e da mandíbula, sugerindo lesões que prejudicariam a natação e a caça.
A presença de gastrólitos no abdômen é o aspecto mais marcante. Quatro pedras indicam que o animal utilizava um tipo de moagem interna para processar alimento.
Gastrólitos já foram vistos em aves e alguns répteis, mas são raros em ictiossauros. A hipótese é que o animal tenha passado a consumir presas menos difíceis de capturar ou de processar.
Essa evidência sugere que ferimentos graves não o impediram de viver por tempo suficiente para deixar marcas nas costelas e registrar mudanças de comportamento alimentar.
Os cientistas destacam que o sítio de Mistelgau preserva répteis marinhos do Jurássico, e a descoberta indica que grandes predadores persistiram na região por mais tempo do que se pensava.
A equipe planeja analisar com mais detalhes os dentes e a estrutura óssea para entender melhor a dieta, a robustez das articulações e o comportamento do indivíduo.
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