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Harvard revela que o intestino é o segundo cérebro

Intestino é visto como segundo cérebro; afeta humor e imunidade e pode atrasar diagnóstico por vergonha de relatar sintomas

Tratar o intestino como um órgão neurológico ativo é uma mudança de perspectiva com consequências reais para a saúde
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  • Médica de Harvard afirma que o intestino funciona como um segundo cérebro e que tudo que fazemos afeta esse órgão, incluindo humor e imunidade.
  • A comunicação entre intestino e cérebro é bidirecional via nervo vago, explicando por que emoções influenciam o sistema digestivo e vice-versa.
  • AGA aponta que quarenta por cento dos americanos interromperam atividades diárias em dois mil e vinte e dois por problemas intestinais.
  • Pesquisas associam danos gastrointestinais anteriores a um risco 76% maior de desenvolver doença de Parkinson, com a hipótese atual envolvendo alfa-sinucleína no intestino.
  • O livro You’ve Been Pooping All Wrong sugere tratar o intestino como um cérebro, com foco em fibra, postura, hábitos e microbioma; obra ainda não tem tradução para o Brasil.

A médica Trisha Pasricha, professora de Harvard e pesquisadora na área de neurogastroenterologia, afirma que o intestino deve ser tratado como um cérebro. Em entrevista à Harvard Medicine, revista oficial da Faculdade de Medicina de Harvard, ela explica que a rede de neurônios do intestino afeta humor, imunidade e produção de neurotransmissores, e pode estar envolvida na origem de doenças como o Parkinson.

Segundo Pasricha, dados da American Gastroenterological Association indicam que 40% dos americanos tiveram que interromper atividades diárias em 2022 por problemas intestinais. Ela associa parte desses sinais a comportamentos inadequados, como postura no banheiro, ignorar o impulso de evacuar e uso excessivo de dispositivos no momento das necessidades. A outra parte envolve desinformação e silêncio.

A pesquisadora ressalta que muitos sintomas orgânicos ou funcionais não são relatados ao médico por vergonha ou tabu. A AGA aponta que um em cada três americanos só comenta sintomas intestinais quando o médico pergunta, o que dificulta diagnóstico e tratamento.

O nervo que conecta tudo

A relação entre intestino e cérebro é bidirecional pela via do nervo vago, entendimento consolidado nas últimas décadas. Estados emocionais podem impactar o sistema digestivo e vice-versa, o que explica por que situações de estresse antecipam urgência ou prisões de ventre.

Em seu laboratório em Boston, a equipe de Pasricha observa ligação entre condições gastrointestinais e Parkinson: muitos pacientes com a doença relataram histórico de úlceras. Pesquisas apontam que lesões gastrointestinais antigas associam-se a aumento de risco de desenvolvimento da doença em até 76%.

Tratando o intestino como um cérebro

Pasricha defende que o intestino recebe sinais do que comemos e sentimos e, por sua vez, influencia humor, metabolismo e saúde geral. Ela propõe reorganizar o olhar sobre saúde, tratando cada refeição e hábito como algo que impacta esse “cérebro” intestinal.

O livro You’ve Been Pooping All Wrong traz orientações sobre fibra, postura e microbioma, embasadas em evidências clínicas. A obra, lançada nos EUA pela Penguin Random House, ainda não tem edição disponível no Brasil.

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